Blog do Piero

Archive for janeiro, 2012

Blogueiro é blogueiro e mané é mané

Nadaver e sua série sobre Probloggers

Vou me utilizar de um know-how que não serve pra porra alguma para embasar minha opinião: criei meus primeiros blogs em 2002 – sim, dois blogs, um pessoal e um para comentar sobre coisas que aconteciam na universidade. Desde então tenho acompanhado o crescimento desta nova mídia como fonte de informação em diferentes esferas de conteúdo. Principalmente na minha área de atuação e estudo que é o humor (só os fortes lembrarão dos finados Homem-Chavão, Eu Hein? e BTV!).

Repetindo, blog é fonte de informação. Como bem disse Marcelo Tas, é a forma que as pessoas tem de se tornarem o Roberto Marinho de si mesmo. Sem falar que, com um custo ZERO de produção, algumas pessoas ainda conseguem lucrar com seus espaços virtuais. Isso é fantástico! Há pouco tempo as únicas referências de notícias que existiam vinham de veículos e mídias consolidadas, como rádio, TV e jornal. Hoje um post de um blogueiro no Egito pode deflagrar uma revolução.

No entanto, a profissão “blogueiro” ainda sofre um estigma social muito grande. Depois que a bolha da “blogosfera” estourou e acabou com este termo idiota, muita gente chegou atrasada e com ânsia de entrar nessa do dinheiro fácil e do “status”. Com isso nós temos o típico estereótipo de blogueiro mercenário: figura que é capaz de matar um pra ganhar mais acessos/seguidores, que copia e cola conteúdos da internet sem dar créditos, não produz conteúdo próprio (porque não tem capacidade de fazê-lo), puxam o saco de pessoas cujos sites têm mais acesso como parasitas querendo sugar visitas, e no caso dos blogs de humor, um agravante: não possuem humor. Até o Pudim é mais engraçado.

A merda é que o cara que faz um produto de bom conteúdo e que merece ser valorizado – aqui estamos falando de publicidade – não progride porque é nivelado aos trocentos outros blogs de qualidade duvidosa. Se eu fosse anunciante não ia querer meu produto vinculado a um site de conteúdo duvidoso ou igual a milhares de outros existentes. Falta a muitos blogueiros visão de mercado e, principalmente, pensar um pouco mais além do 9Gag.

Como estou às vésperas de um encontro de blogueiros aqui em Porto Alegre, decidi fazer uma lista de blogs que, na minha opinião, são os melhores aqui do Sul e merecem não só o seu clique como também o investimento das agências de publicidade.

Necessárias – A Gisele é uma das pessoas que admiro porque possui uma visão do trabalho com blogs e social media muito bom, e com um plus – ela tem isso antes desta coisa virar modinha. Ela mostrou isso com outros blogs que criou e administra. Junto com a Ane elas montaram um dos melhores blogs sobre o universo feminino, e conseguem se destacar em meio a um espaço saturado. Espero que um dia as duas possam palestrar em algum destes eventos para o povo da internet, pois elas têm muito a ensinar.

SaiDaqui – Apesar de ter algumas divergências com o conteúdo que a Amanda publica no Twitter (e o tipo de público que ela acaba atraindo), o blog dela é muito bom. Mistura textos intimistas em terceira pessoa com publicações mais leves e descontraídas. Os posts sobre sexo são na medida certa e não caem para a baixaria gratuita.

Hit na Rede – OK, vai soar como nepotismo porque volta e meia eu escrevo pro blog. No entanto, o mérito todo é da Cler, que é uma das pessoas que conheço que entende de música como ninguém e consegue escrever sobre de um modo doce e agradável. E escreve com paixão e propriedade, coisa rara no meio.

Garota Coca-Cola – Não conheço a guria, recebi o link do blog dela através de uma amiga. É um blog pessoal de alguém que saiu de POA para tentar a vida em São Paulo. E o simples relato do cotidiano faz com que a gente se identifique e ache graça.

Só tem mulher nessa lista, Piero! E os blogs de humor?

Bom, todos os blogs daqui que se propõem a ser engraçadinhos são uma cópia descarada do Kibe Loco (logo dele, tão condenado exatamente por copiar e colar conteúdo de terceiros sem os devidos créditos), ou pior. A ideia aqui é conteúdo original. Neste caso não vou indicar um blog, e sim uma pessoa.

Fred Fagundes – O Fred começou como co-fundador do Jacaré Banguela, depois partiu pra carreira solo, e hoje escreve no Papo de Homem, além de fazer outras coisas legais por aí. Não ficarei aqui explicando as nuances da ironia e humor em um texto bem escrito. Afinal, não é qualquer um que consegue fazer uma resenha de Top Gun de maneira épica. Sem mais.

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Você é minoria

Segundo o Ibope, você aí do outro lado da tela faz parte de um universo de 46,3 milhões de pessoas no Brasil que acessa a internet regularmente. Se formos aumentar esse índice e incluir enviadores de Powerpoints motivacionais por email e replicadores de figurinhas do “Humor no Face”, este número aumenta para cerca de 80 milhões. Mas vamos nos ater ao menor índice. São quase 50 milhões de internautas consumindo e fabricando informação em índices variados: na distância de um clique você lê a BBC e o Meia Hora, recomenda um restaurante no Foursquare, posta uma foto bonita com ares hipster no Instagram, compra música na iTunes (ou porcarias no DealExtreme), consome vídeos no Youtube, e paramos por aqui por ser uma lista sem fim de atividades relacionadas.

A maior característica deste quase 1/4 da população brasileira (o IBGE diz que somos mais de 190 milhões) é ignorar os outros 3/4.

Nos últimos dias percebi muitas reclamações nas redes sociais sobre as matérias-padrão feitas na TV nesta época do ano: os bebês que nascem no primeiro minuto do Natal/Ano Novo e a história das suas famílias, os atores vestidos de João e Maria do século XXI pedindo ajuda na véspera da noite santa, o dia seguinte ao reveillon, como fazer uma ceia mais acessível ao bolso… O que os mimizentos de plantão alegam é a falta de pauta na redação. Quem trabalha com jornalismo sabe que um dia de trabalho é um dia de derrota, pois sempre há mais fatos acontecendo no mundo do que espaço para divulgá-los. Então?

Então que o mundo não é movido apenas a tragédias. O jornalismo é um retrato da vida feito com uma lupa. Se num dia um escândalo político é a capa de uma publicação, no outro pode ser o desabrochar das flores na primavera. O que é irrelevante para você tem um significado especial para outras pessoas. Um bom jornal tem o dever de informar a sociedade de forma plural, e isso inclui falar tanto com os 46 milhões de internautas que consomem informação como gafanhotos numa lavoura de trigo, quanto com os demais 150 milhões que só querem saber se vai chover hoje ou quem será a próxima vítima da Tereza Cristina na novela, e não fazem nem ideia do que seja o Facebook.

Infelizmente a internet amplia a visão dos usuários numa escala global de informação e restringe na regional. Temos acesso aos discursos políticos do Occupy Wall Street, mas ignoramos o que acontece do outro lado da nossa rua. Na Líbia, um movimento que surgiu na internet só ganhou as ruas porque o debate saiu do ambiente virtual, tornando-se de interesse de toda a população. Aqui, nossos revolucionários de sofá se limitam a uma hashtag (#forasarney, lembram?) e acham um absurdo quando nada acontece, ou limitam-se a dizer que brasileiro não sabe votar.

Você, que tem uma conexão rápida em casa, que não tem dificuldades em ler um texto em inglês, que acha o Zorra Total uma merda, que protesta contra o mundo postando algo em seu mural, que reclama dos clichês do cotidiano no jornalismo, você faz parte de uma minoria individualista, elitista, preconceituosa e acomodada. E o que é pior: tem todas as ferramentas na mão para ser o contrário. Pense que um torneiro mecânico, ex-pau-de-arara, fez o melhor governo do Brasil em anos, e você que tem toda a cultura e sabedoria ao alcance, se restringe a reclamar de mais uma matéria com bebês no jornal.

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posted by Piero Barcellos in Jornalismo and have No Comments