Quem trabalha com jornalismo passa por questionamentos sobre este conceito abstrato e tão relativo chamado de “verdade”. Sabemos que a informação, antes de chegar ao público, passa por uma série de filtros. Dentre eles, os julgamentos pessoais do repórter, baseados em experiências de vida, aprendizado acadêmico, regras de apuração e interpretação, e por aí vai. Quem compreende isso sabe que uma mentira mais cabeluda que a Claudia Ohana é mais verossímil que a ingenuidade da verdade. Afinal, nós sabemos que a mentira é mentira, e que a verdade pode ser relativa de acordo com quem a interpreta. Complicado? Vamos tentar usar uma figura de linguagem para que você, nobre trabalhador da mídia, possa explicar num churrasco de família de modo que todos entendam, do seu primo espinhento ao seu tio pinguço.
A mentira é aquela mulher perfeita, que quando entra no recinto, os urubus torcem o pescoço para apreciar seus atributos sem antes balbuciarem um “boh” involuntariamente. Ela caminha colocando um pé na frente do outro, olhando os homens de cima pra baixo, enquanto estes fixam sua atenção no vão entre os seios destacados pelo decote fornido. Você, macho-alfa, olha aquele mulherão sabendo que a Mãe Natureza não é capaz de praticar tamanha bondade com apenas UM ser. Fica explícito que aquilo tudo é uma mentira provida pela indústria da estética. Pode até tirar a prova dos nove e perguntar à moça se os peitos dela são de verdade – vai que ela seja daquelas que peça para você tocar e comprovar “in loco”… Chega a ser agressiva, e sua presença intimida qualquer um. Fica difícil até pra chegar junto.
A verdade é a guria gostosa naturalmente. Há um equilíbrio harmônico entre físico e intelecto, e se vacilar ela tem um PS3 em casa e joga Call Of Duty no tempo livre. É aquela que te encara nos olhos com um convite do tipo “você me conhece, sabe como agir”. E você sabe. Até a hora que os dois vão para a cama e iniciam o momento místico das preliminares. Na hora que a última prega do sutiã se solta, você descobre que aquele volume interessante por debaixo da blusa não passava de um enchimento fajuto da lingerie. Nada contra os pequenos e sinceros, oprimidos pelo culto contemporâneo dos volumosos, mas é um pouco frustrante quando a expectativa é quebrada – o que não impede o decorrer da ação, obviamente. Os amigos que viram você pegando a moça estão cagando pra este fato. E pra moça, é apenas uma lingerie comum.

Paola Oliveira: uma beleza sincera, mesmo com um pequeno artifício externo ampliando seus atributos. Tolerável, eu diria.
Por isso, quando leio/vejo/ouço uma notícia proferida em algum meio de comunicação, encaro como uma mulher com sutiã de enchimento, tentando descobrir o que tem por trás daquela informação. Ela não deixa de ser verdade, mas será que ela está completa? Quais os interesses políticos e econômicos por trás dela? Por que outros pontos de vista não foram ouvidos? Quem trabalha com jornalismo sabe como as notícias são feitas, as consome mesmo assim, mas fica com um pé atrás, pois sabe que a verdade nunca é absoluta.
E, meninas, a gente percebe quando os peitos de vocês são falsos. Malz aê.



