Blog do Piero

Archive for junho, 2011

A verdade é uma mulher com sutiã de enchimento

Quem trabalha com jornalismo passa por questionamentos sobre este conceito abstrato e tão relativo chamado de “verdade”. Sabemos que a informação, antes de chegar ao público, passa por uma série de filtros. Dentre eles, os julgamentos pessoais do repórter, baseados em experiências de vida, aprendizado acadêmico, regras de apuração e interpretação, e por aí vai. Quem compreende isso sabe que uma mentira mais cabeluda que a Claudia Ohana é mais verossímil que a ingenuidade da verdade. Afinal, nós sabemos que a mentira é mentira, e que a verdade pode ser relativa de acordo com quem a interpreta. Complicado? Vamos tentar usar uma figura de linguagem para que você, nobre trabalhador da mídia, possa explicar num churrasco de família de modo que todos entendam, do seu primo espinhento ao seu tio pinguço.

A mentira é aquela mulher perfeita, que quando entra no recinto, os urubus torcem o pescoço para apreciar seus atributos sem antes balbuciarem um “boh” involuntariamente. Ela caminha colocando um pé na frente do outro, olhando os homens de cima pra baixo, enquanto estes fixam sua atenção no vão entre os seios destacados pelo decote fornido. Você, macho-alfa, olha aquele mulherão sabendo que a Mãe Natureza não é capaz de praticar tamanha bondade com apenas UM ser. Fica explícito que aquilo tudo é uma mentira provida pela indústria da estética. Pode até tirar a prova dos nove e perguntar à moça se os peitos dela são de verdade – vai que ela seja daquelas que peça para você tocar e comprovar “in loco”… Chega a ser agressiva, e sua presença intimida qualquer um. Fica difícil até pra chegar junto.

 

Larissa Riquelme: a paraguaia "criada" pela magia da cirurgia. Ah se toda mentira fosse como tu...

A verdade é a guria gostosa naturalmente. Há um equilíbrio harmônico entre físico e intelecto, e se vacilar ela tem um PS3 em casa e joga Call Of Duty no tempo livre. É aquela que te encara nos olhos com um convite do tipo “você me conhece, sabe como agir”. E você sabe. Até a hora que os dois vão para a cama e iniciam o momento místico das preliminares. Na hora que a última prega do sutiã se solta, você descobre que aquele volume interessante por debaixo da blusa não passava de um enchimento fajuto da lingerie. Nada contra os pequenos e sinceros, oprimidos pelo culto contemporâneo dos volumosos, mas é um pouco frustrante quando a expectativa é quebrada – o que não impede o decorrer da ação, obviamente. Os amigos que viram você pegando a moça estão cagando pra este fato. E pra moça, é apenas uma lingerie comum.

 

Paola Oliveira: uma beleza sincera, mesmo com um pequeno artifício externo ampliando seus atributos. Tolerável, eu diria.

Por isso, quando leio/vejo/ouço uma notícia proferida em algum meio de comunicação, encaro como uma mulher com sutiã de enchimento, tentando descobrir o que tem por trás daquela informação. Ela não deixa de ser verdade, mas será que ela está completa? Quais os interesses políticos e econômicos por trás dela? Por que outros pontos de vista não foram ouvidos? Quem trabalha com jornalismo sabe como as notícias são feitas, as consome mesmo assim, mas fica com um pé atrás, pois sabe que a verdade nunca é absoluta.

E, meninas, a gente percebe quando os peitos de vocês são falsos. Malz aê.

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Too much information

Você acorda e desjejua com um tapa na cara dado pelo jornal. Centenas de famílias afetadas pela chuva. Em outa página, um artigo de uma pessoa importante disserta sobre o avanço da droga nas escolas. A colunista de política comenta o escândalo político do momento, enquanto o preço da gasolina afeta o dos demais produtos. Seu time empatou e mais um homem morreu num acidente de carro. A foto do veículo estraçalhado é a mesma que está no site, do lado de uma celebridade de segundo escalão que foi pega sem calcinha. O jogador-sensação do momento engravidou uma dançarina maria-chuteira, que fez um ensaio sensual na semana passada. Eu vi no Twitter, quando alguém postou o link e depois cagou regra sobre essa putaria generalizada. Li uma piada sem graça que foi replicada por muita gente mas não ri. Vi as pessoas trazerem de volta um tipo de chocolate mostrando o poder da internet que não tiveram pra derrubar um senador. Acompanhei o relato da festa boa com gente interessante e muita cerveja. Estavam todos felizes nas fotos postadas no Facebook. Tenho que curtir a sua alegria temporária? Outros já curtiram. Postaram até uma frase daquelas de filosofia de boteco. Frase que foi repetida num seriado americano. Não vejo seriados. As pessoas repetem nas redes sociais. Como agora estão repetindo a notícia na TV. O âncora fala que centenas de famílias foram afetadas pela chuva. Você mostra sua comoção em 140 caracteres porque não consegue levantar a bunda do sofá. O sofá está em promoção, 15% sem juros no cartão. As pessoas desabrigadas precisam de sofás. As pessoas da internet precisam de atenção.
E eu só preciso de você pra esquecer tudo isso.

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Pra não dizer que não falei das flores

Gérbera. Sim, eu não sabia como era uma.

Por mais que o comportamento humano evolua em aspectos tecnológicos e sociais, velhos hábitos instintivos não mudam. Como olhar uma bunda feminina, por exemplo. Mulheres não entendem quando um macho alfa sorrateiramente desvia seu foco de atenção para um belo par de nádegas. Descobriu-se que desde a época que o homem grunhia e resolvia tudo no braço (ou seja, desde sempre), as candidatas à Wilma Flintstone tinham como pré-requisito ancas largas e seios fartos. Tais atributos físicos eram indicativos de fertilidade e resistência às mudanças climáticas. Este fator não se alterou com o passar dos anos. Basta olhar as pinturas renascentistas, com mulheres nuas e rechonchudas, sem medo de exibir seus excessos adiposos. Hoje, apesar dos corpos esguios que desfilam pelas passarelas do mundo, são as mulheres ditas “gostosas” que provocam o desejo masculino e a inveja das meninas que, tendo um corpo melhor ou pior, chamam as moças voluptuosas de “gordas” (na melhor das hipóteses). Portanto, moças, não se ofendam se o seu parceiro vislumbrar o decote ou a calça atochada alheia. Ele não tem culpa de carregar no cromossomo Y o instinto predatório de acasalamento. Aceite e tente conter esta “falha genética” saciando o desejo de cópula sempre que possível.

A Playboy mais vendida dos anos 2000 - gorda ou gostosa?

Outro hábito que nunca vai mudar é o de presentear uma mulher com flores. O costume teria surgido na Grécia, quando ramos eram ofertados como recompensa após uma tarefa árdua ser concluída, e crianças eram presenteadas ao nascer como sinal de boa sorte. Há também a relação com Afrodite, deusa do amor, que segundo a lenda, nascera em meio às espumas do mar, que estavam em formato de rosa – flor que além de representar o sexo feminino, também é a iconografia do amor em sua pureza. Muitos homens, em épocas distintas, utilizavam flores como subterfúgio para declarar não-verbalmente suas intenções para a tetéia almejada, já que em alguns casos, corria o risco de ter o bucho transpassado pela espada do pai da moça em nome da honra (e tem gente que ainda reclama quando sai da baladinha no zero-a-zero). Hoje em dia as mulheres até reclamam da falta de sensibilidade masculina, que não ganham nem um cactus do namorado. Claro, existem aquelas que são menos sensíveis e não gostam de ganhar um arranjo sequer de presente. Estas, assim como os homens que desviam o olhar diante de uma bunda bonita, merecem desconfiança.

Te trago flores esperando mais do que um café.

Então este que vos fala tinha que comprar um presente para uma amiga que estava de aniversário. Como sou um cara perdido para dar presentes, consultei a amiga da amiga para saber qual seria a melhor opção. Dentre elas, flores. Fiquei um pouco receoso, já que das últimas vezes que presenteei mulheres com flores não obtive o resultado esperado. Fui no shopping, e sabendo dos gostos da moça, comprei um arranjo de gérberas. Agora vislumbrem a cena: eu, a personificação de Rufus o Lenhador, atravessando o shopping até o estacionamento, carregando um buquê de flores? Vi as velhinhas fazendo aquela carinha de “oh, que fofo”, namorada cutucando o baço do namorado como quem diz “até o motoqueiro dá flores pra mulher, e tu, seu molóide?”. Estava me sentindo o Professor Girafalles do século XXI.

- Bonito o buquê, senhor – disse a funcionária que libera o ticket do estacionamento.
- Obrigado. Espero que a moça que vai ganhá-lo também ache o mesmo.
- Moça de sorte essa, hein? – respondeu.

Contrariando as estatísticas, o resultado foi o esperado. Felizmente algumas coisas não mudam. Ou não, pois se você é homem e está namorando/casado, vai afirmar que só tem olhos para o derriere da sua patroa. A mim, só resta confirmar e dar fé para garantir sua integridade.

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