Blog do Piero

Archive for fevereiro, 2011

Sobre GQVAPA e afins

Fugindo do lugar-comum da questão se a internet aproximou ou afastou as pessoas, digo o seguinte: a grande rede criou uma legião de pessoas carentes por atenção. Sabe aquele amigo chato que você encontra na rua e pergunta se está tudo bem, e o cara desanda a contar as desgraças da vida dele? Potencialize isso na web, onde você pode dizer que está mal para duzentas, trezentas, mil pessoas no Twitter. Ao menos um dos teus seguidores vai se compadecer para dar a atenção que você tanto quer (se você for mulher, não se iluda: só querem te comer). Pois é isso que todo mundo quer: atenção. Se não for para alguém ouvir o seu mimimi, é para ser o primeiro a fazer uma piadinha engraçada repetida a esmo, para ser o mais seguido, o mais retuitado, e por aí vai. Invertemos a lógica do Big Brother (tanto do livro quanto do programa), e ao invés de zelar pela nossa privacidade, queremos é ser vigiados mais e mais. Por isso é tão irônico ver gente que publica fotos no Facebook, dá check-in no Foursquare e desabafa seus sentimentos no Twitter criticando o reality show. Você é um eterno BBB e não sabe. Ou não quer saber.

Tive um exemplo prático disso nessa semana. Sigo cerca de 500 profiles no Twitter. São muitas atualizações por dia, e eu não consigo acompanhar todas. Como se não bastasse, há pessoas próximas que sigo mas que não tenho saco de acompanhar por N motivos. O caminho mais fácil e lógico seria o do botão unfollow, mas como já vi lamúrias intermináveis e guerras declaradas acontecerem porque alguém deixou de seguir outrém (o ditador Mubarak do Egito deu unfollow na geral e viram no que deu, né?), optei por outro caminho. Criei uma lista de Gente Que Vale A Pena Acompanhar (GQVAPA, já que o nome ficou grande), e lá coloquei as pessoas com quem mais interajo, troco ideias, me divertem e que não me provocam sentimentos de repulsa ou ódio. Configurei os avisos visuais do Chromed Bird só pro pessoal da lista e consegui uma timeline limpa, divertida e interessante, tudo dentro da lei. Mas infelizmente tem gente que acha isso um crime por ter a deixado de fora. Esqueci que algumas pessoas acham que o mundo deve girar em torno delas, e que quem não as considerar essenciais para sua vida devia ser setenciado com a morte.

Ao pessoal carente, lhes digo: a vida é assim. Mas não se preocupem: não sou tão relevante para você perder o sono por não estar numa lista de Twitter. Fora que sempre vai ter alguém para lhe dar ouvidos na internet (querem te comer, já disse…). Tentem se preocupar com coisas da vida real, como TER uma vida. Assim vocês se tornam pessoas mais legais, e eu não precisarei criar um filtro para evitá-los. Caso isso não funcione, procure um psicólogo. Ao menos lá você pode usar mais de 140 caracteres para reclamar.

P.S.: já perceberam que, mesmo falando com uma pessoa do outro lado do computador, é com uma máquina que você troca sentimentos? Você chora ou ri diante da tela de um computador. Não há contato físico humano, só o calor da luz do monitor e olhe lá. Vai ver tudo que essa gente quer é um cafuné e eu, um ogro insensível, não sabia…

LinkedInDeliciousGoogle ReaderEmailShare
posted by Piero Barcellos in Cotidiano and have Comments (2)

Eu não gosto de Elvis


Pega na minha e balança!

Volta e meia ouço a frase que entitula este post, dita logo após manifestar minha admiração pelo Rei do Rock. Acabo decepcionando os meus provocadores quando minha resposta se resume a um simples “OK”. Sou fã incondicional do cantor, e meu dia só começa após um boa batida dos anos 50 falando sobre garotas quentes, sapatos azuis e corações partidos. Acredito que ele está em alguma praia da Argentina jogando gamão com Michael Jackson e comentando as manias irritantes da Lisa Marie. Mas isso não vem ao caso. Eu curto e ponto. E curto em silêncio, sem o alarde daqueles que precisam exibir ao mundo a que tribo pertencem.

Eu não gosto de Chico Buarque. Reconheço a importância dele nos terríveis anos de ditadura onde burlava a censura com suas letras rabuscadas cheias de mensagens subliminares. Mas não gosto dele como cantor, não acho que ele “entenda a alma feminina”, como dizem as fãs, e tampouco faz parte de um gênero que eu curto. Porém, parafraseando o próprio, a unanimidade é burra, e os mesmos que elevaram o artista ao patamar de ícone de “tudo que há de bom no universo” agora rechaçam quem pensa o contrário. Logo fãs dele, persona que lutou pelo direito à liberdade de expressão. Vá entender.

Não é uma atitude exclusiva dos xiitas aficcionados pelo carioca de olhos verdes. Os grupos sociais em geral impõem códigos e regras que definem se você faz parte do meio ou é excluído. Em suma, você tem que gostar do que é hype, do que a maioria gosta, e NEM PENSAR em fazer qualquer crítica, por mais que usar óculos wayfarer e se comportar como um debilóide seja uma atitude no mínimo questionável. Tinha uma época em que as pessoas que não concordavam com os códigos da época eram torturadas e queimadas em fogueiras. Fico feliz que hoje sou apenas chamado de velho e intolerante. Continuem assim, amiguinhos da geração Y, e em breve veremos a ascenção de pequenos ditadores que acharão Vampire Weekend a melhor banda do mundo e publicarão suas ideias de governo em um Tumblr com fotos de gatinhos feitas com Lomo.

Uau, fui ofensivo demais? Desculpem. É só a minha opinião, um negócio meio fora de moda no século XXI, e que ninguém ainda se acostumou a viver com sua diversidade. Eu conheço um cara que, se fosse guiado pelo que os outros pensam e não seguisse seus próprios desejos e gostos, seria apenas um bom motorista de caminhão de uma região rural:

Mas nem todo mundo gosta de Elvis. Pena.

LinkedInDeliciousGoogle ReaderEmailShare
posted by Piero Barcellos in Cotidiano,Mídia,Vídeos,Vitrolão and have Comments (4)