
Retrospectiva é um negócio meio clichê, porém inevitável nesta época do ano. Consigo até mesmo ouvir o Sérgio Chapelem com aquela voz de tia velha narrando os fatos marcantes do ano que, felizmente, está acabando. Não que 2010 tenha sido um ano terrível, mas foi um turbilhão de acontecimentos e mudanças.
A primeira delas – a principal, talvez – foi que eu me formei. Depois de quase oito anos peguei o tão sonhado diploma. Alegria da família, festa com os amigos, e alforria financeira (chega de mensalidade!). Junto com isso, consolidei o milagre de trabalhar conciliando jornalismo e humor, juntando duas das coisas que curto pra caramba.
Também foi o ano em que abri os olhos para um mundo diferente do que eu idealizava. Vi amigos se mostrando verdadeiros filhos da puta, pessoas que eu admirava agindo como pré-adolescentes por bobagem, gente se aproximando porque acham que ter contato comigo resultaria em alguma benesse futura. Me desapontei com a falta de coerência e de sinceridade de pessoas próximas, e tomei um tombo grande que, confesso, me derrubou pra valer.
Como consequência, me tornei um cara mais cauteloso e realista e menos tolerante. Se isso é bom ou ruim, não sei. Há quem se sinta incomodado com as minhas atitudes. Houve quem tentasse mudar meu comportamento pelo fato de não gostar do que a manada gosta, como se eu fosse me tornar alguém melhor por tomar um porre ou ficar enfurnado em um lugar idiota com música ruim. Tentaram. Sem sucesso. Personalidade forte e ariano orgulhoso, sabe como é…

No meio disso tudo aconteceu a descoberta da liberdade em duas rodas. Vento na cara, equilíbrio e concentração. A facilidade de ir e vir para lugares desconhecidos a hora que quiser, e de se sentir maior que o mundo quando está rodando sem destino.
Se as circunstâncias fizeram com que eu me afastasse de algumas pessoas, o destino tratou de aproximar outras. Muitas risadas, bobagens e sorrisos. Fora que agora sou um “vip” na província, e ainda vou tomar sorvete em Ijuí. :) Sem falar nos velhos amigos de guerra que se fazem presentes mesmo quando a correria do dia-a-dia impede. Sem falar nos casamentos, que agora estão fazendo parte da agenda de eventos ao lado de formaturas e aniversários. Como o tempo não para, terei em breve que me preparar para batizados também!
E no meio de tantos altos e baixos, eis que eu vi o inacreditável. Um show que mudou minha vida.
Foi um ano de merdas e de glórias. Ainda bem que os últimos sempre se sobressaem. Que neste novo ciclo as coisas boas se multipliquem e as ruins fiquem enterradas no passado. Para todos nós.
(É piegas? Sim, é. Mas é um blog pessoal, então releve, OK? Próximo post será engraçadinho, prometo.)

