Blog do Piero

Archive for setembro, 2010

Internet – Uma terra de dementes

É fato que o comportamento humano vai se adaptando conforme a evolução tecnológica do seu tempo. Fatores como alimentação, cultura, política e sociedade (só para ficar em alguns ítens importantes) são fatores que mudam radicalmente, e acabamos nem percebendo. Se antes a preocupação era na camisinha furar, hoje é pensar que sua noite de sexo pode parar num RedTube da vida.

Partindo do princípio em que as pessoas julgam umas as outras pela aparência, e que você é o que você compartilha na web, o IPEI (Instituto de Pesquisas Extremamente Irrelevantes) analisou de maneira superficial e imprecisa os assuntos comentados no Twitter, Facebook e RSS, a fim de traçar um retrato do mundo deste “povinho” que habita a internet e como seria isso na vida real.

- ALIMENTAÇÃO: Pessoas só se alimentam de cupcakes e bacon. Nada mais além disso.

- ANIMAIS DOMÉSTICOS: Cachorros são idiotas, e gatos são inteligentes e dominadores. Todo mundo gosta de gatos. Sem exceções. Se você não gosta de gatos, você tem problemas. Ou ainda não foi dominado pelos bichanos.

- EMPREGO: As pessoas querem ter uma profissão descolada, como DJ, designer, fotógrafo, artista plástico ou promoter de festa. No futuro não existirão pedreiros. Os canteiros de obras serão tomados por macfags fazendo mashup de músicas enquanto designers discutem o padrão estético do tijolo. Como consequência direta, mulheres gostosas deixarão de ser cantadas.

- SEXO: Existem duas vertentes. Uma acredita que o mundo é gay, colorido, e que basta ter um cu pra ser feliz. A outra diz que todo mundo é uma estrela pornô – ninguém brocha, tem pinto pequeno ou é frígida. Não há exceções.

- TELEVISÃO: Pessoas criticam as novelas da TV aberta por conta das tramas que não condizem com a realidade, com os bordões grudentos dos personagens, e pela lavagem cerebral que fazem na população. Em compensação, repetem “BAZINGA” a todo instante, consideram LOST uma série fantástica, e agem como se estivessem num episódio de “Sex and The City” ou “Friends”. Afinal, novela é coisa de alienado, não é ?

- NECESSIDADES FISIOLÓGICAS: Ninguém caga, arrota ou solta pum. O mundo é asséptico e cheira a Confort. Desconfie quando as pessoas dizem “já venho”.

- LIÇÕES DE VIDA: Lições de vida são compartilhadas entre os amigos através de uma frase escrita com fonte helvética sobre uma foto envelhecida que nada tem a ver com a frase.

- CORAGEM: Todo mundo é capaz de peitar seus desafetos ou protestar contra algo que não agrade sem medo de dizer tudo que pensa. Contanto, é claro, que se possa fazer isso no anonimato e na segurança de seu lar.

- PSICOLOGIA: Pessoas se irritam se você não lhes dá bom dia. Nem tente contrariá-las, pois elas estão sempre com a razão, mesmo que não estejam. Não tente entender, apenas aceite isso como verdade, ok?

- RELACIONAMENTOS: Não basta duas pessoas se gostarem. Precisam espalhar isso para o mundo. Quando isso acontecem, trocam a foto individual do RG por uma do casal, parecendo gêmeos siameses.

- EGOCENTRISMO: Todo mundo acha que o que faz é extremamente importante, seja o fato de ir a um restaurante ou amarrar um cadarço. Não contente em fazer, precisam FALAR que estão fazendo, e se achar importante por isso.

- TRIBOS URBANAS: Existem os hipsters (nerds metidos a pessoas descoladas que ditam tendências), os trolls (gente que está aí só pela avacalhação), os leprosos (emos, coloridos, e por aí vai), e os ermitões (pessoas livres de influencia digital). Os nerds de verdade estão extintos desde 1990.

- PRIVACIDADE E BOM SENSO: O que é isso mesmo?

Como a pesquisa é altamente desorganizada e sem sentido, se vocês acharem por aí outro aspecto a ser adicionado nesta lista, deixem nos comentários.

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A Felicidade Emulada

Eu tenho uma teoria. Bem… não é exatamente uma teoria. Soa mais como uma observação do comportamento social. Eu vou tentar explicar, mas estou prevendo algumas reações: de pessoas que irão concordar, mesmo se sentindo atingidas, e de gente que vai reagir de maneira violenta por vestir a carapuça. Como não estou aqui para agradar o mundo, ai vai.

Eu odeio bater fotos. Parece meio contraditório dizer isso numa época em que todo mundo carrega no bolso uma máquina fotográfica que, não contente em apenas registrar imagens, pode apagar as que ficaram ruins, e compartilhar pela internet as melhores (alguns desses aparelhos também fazem ligações, mas é outra história). Pois nem nas “melhores” fico, digamos, apresentável. Não sou fotogênico. Pior, não gosto de forçar um sorriso para a câmera. Enquanto todos se esforçam para mostrar até os sisos diante da lente, eu fico sério. Não consigo fingir falsa alegria. Este talvez seja um mérito das antigas máquinas fotográficas, aquelas de filme mesmo: com o número de poses limitado pelo negativo, as pessoas só batiam uma foto quando o momento era realmente importante ou interessante.

Este é apenas um dos fatores que contribuem para a felicidade emulada. Atualmente é mais importante você PARECER feliz do que estar feliz de fato. Num mundo onde você cria o seu Big Brother particular através de redes sociais (que interferem na sua vida offline), a imagem que você vende é mais importante do que você é. Quer um exemplo? Certamente você conhece uma mina que tomou o pé na bunda do namorado e no fim de semana seguinte entupiu o (insira sua rede social aqui) de fotos de balada sorrindo, garrafinha de Ice na mão, junto com as amigas, ou agarrada num cretino aleatório. Isso porque ela precisa mostrar para as pessoas que está bem, mesmo que no fundo isso não seja verdade. E dá-lhe autorretratos com o bracinho gordo segurando a cybershot… Poderia citar outros exemplos, mas vou deixar que você aí do outro lado reflita sobre qual merda já fez para mostrar aos outros que é feliz.

Felicidade é um conceito totalmente abstrato que carece mais de atenção e sinceridade e menos de publicidade. Prefiro muito mais curtir um momento legal do que subir uma foto pro Twitpic para mostrar aos meus seguidores “como estou me divertindo”. Aliás, se eu fizer isso, podem interpretar como “estou num lugar de merda e entediado pra cacete ao ponto de perder tempo batendo uma foto e escrevendo uma legenda para ela”.

A vida é curta, amigos. Curta demais para a gente perder tempo se preocupando com o que os outros pensam de nós, e curta demais para se esconder atrás de máscaras.

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