Uma das principais dificuldades em aprender a tocar guitarra está em executar os acordes. A mente, acostumada com partituras, claves e notas, precisa agora aprender a ler tablatura. E os dedos precisam se cordenar para as posições corretas nas casas. Para quem não está acostumado, a pressão digital nas cordas de aço machucam. É preciso empregar força, para que a nota soe como desejada, compondo a harmonia perfeita do acorde.
Com o tempo, as pontas outroras macias dos dedos dão lugares a calos. Pedaços de pele morta que enrijessem e inibem a dor quando as extremidades encontram o fino e gélido fio de aço. Acordes sofridos nunca mais. Porém, ainda é estranho pensar que é preciso “matar” um pedaço de si para que surja outro mais forte e mais duro.
Um dia você cresce, e precisa matar um pouco da sua inocência infantil para ingressar no mundo das responsabilidades adultas. Uma parte do seu coração morre quando você toma um fora, deixando-o mais resistente para as próximas aventuras que virão. Uma parte de seus sonhos entra em óbito quando você é obrigado a mudar seus planos, e passa a caminhar com os pés no chão.
Se você acha isso ruim, basta pensar que foram de dedos calejados que surgiram as mais belas músicas.
I am a rock,
I am an island.
And a rock feels no pain;
And an island never cries.
