Blog do Piero

Archive for março 20th, 2010

Jump!

“Aqui de cima é tudo tão pequeno e tão cinza”. Foi o que pensou Pedro, quando contemplou a vista do parapeito do prédio mais alto da cidade. De lá ele via as pessoas caminhando como formigas de um lado para o outro e as buzinas de miniaturas de carros tentando movimentar um trânsito caótico em vão. A fumaça provocada pela urbe deixa o pouco de colorido de algumas fachadas num tom fosco, quase melancólico. Aos poucos, o movimento na base do prédio se intensificava, e era possível ver uma grande aglomeração de populares, que fitavam o céu, forçando a visão contra a luz do sol.

Pedro olhou no relógio. Três da tarde. Numa fração de segundo passou pela cabeça mandar todos aqueles desocupados curiosos à puta que os pariu, mesmo que seu grito não fosse ouvido por eles lá embaixo. Mas na fração de tempo seguinte, percebeu como a vida delas devia ser tão medíocre, para ficarem paradas aí por minutos, horas, lhe observando. As formigas-humanas são assim,  não conseguem assimilar algo que não esteja na sua programação inicial de sobrevivência e subsistência. Vivem para trabalhar, trabalham para viver. Quando sobra um tempo, alimentam-se, saciam as necessidades físicas, e olham TV para se comoverem com emoções que não são suas. Então quando alguma formiga se rebela conta o sistema imposto, acaba chamando a atenção.

Read more…

LinkedInDeliciousGoogle ReaderEmailShare
posted by Piero Barcellos in Ficção and have Comments (4)