Eu assisto o Big Brother com uma certa regularidade desde a primeira edição. Acho legal, não só ele como qualquer reality show. Não vou dar uma de pseudo-intelectual dizendo que só assisto a TV Cultura e desligo a TV para ouvir Chico Buarque quando o programa da Globo vai ao ar. Pelo contrário, eu gosto da estrutura narrativa, de como a história é conduzida. Afinal, até mesmo em um espetáculo onde as variáveis não são constantes é necessário ter uma orientação. E é aí que está o sucesso da coisa toda.
Diferente dos seriados americanos, de uma novela, ou até mesmo de uma trama real (vide caso Isabella Nardoni e Eloá Pimentel), em um reality show os personagens não são previsíveis. Todos possuem virtudes e defeitos. E com um adeno: quem tem o controle da história é o telespectador, aplicando castigos, dando bonificações e eliminando personagens. Já ouviram falar na história dos “pequenos poderes”? Ora, o público do Big Brother é o brasileiro padrão, saturado de tanta corrupção e injustiça a sua volta, mas que não mexe a bunda da cadeira para melhorar a situação por se achar incompetente para tal. Em compensação, o seu senso de justiça é afagado através das possibilidades de votação que o Pedro Bial joga na tela.
Em meio a tudo isso, emerge uma figura polêmica chamada Marcelo Dourado. De todos os adjetivos empregados ao participante, ficamos com aqueles que definem o estereótipo do mesmo – gaúcho e lutador de vale-tudo. Isso já lhe confere e reforça os atributos de machista, bad-boy, marrento, explosivo e… homofóbico. Rapidamente ele se tornou o antagonista da ala gay do programa – ala esta que, excetuando a Angélica, é composta pelos estereótipos dos homossexuais, retratados em piadas velhas dos programas de humor de bordão. E isso provocou não só a divisão da casa, como também do público, provocando reações extremadas, como a do cara que estava sorteando R$ 50 mil para quem eliminasse o lutador do jogo.
O que acontece é o intrínseco e hipócrita jogo das minorias, onde apenas os direitos deles recebem atenção, mas se esquecem dos DEVERES. E entre os deveres, também está o respeito à individualidade. Se eu disser que acho ridículo e patético aquelas passeatas pelo Orgulho Gay, eu posso ser tachado de homofóbico. Se eu sugerir a passeata do Orgulho Hétero então, é capaz do tenente Aldo Raine sair da tela para marcar uma suástica na minha testa. E quanto aos homossexuais que não toleram heteros num mesmo ambiente? Não é discriminação também? Isso acontece em grande escala, mas não é tão exposto porque, sabe como é, toda minoria tem atestado de santidade…
A vitória de Marcelo Dourado no programa é uma grande resposta aos defensores do politicamente correto. Resposta de que a igualdade é uma via de mão dupla, e não de mão única.
E sim, pela primeira vez estou me prestando a votar no BBB, só pra esse louco ganhar!

