
Há muito tempo eu aprendi uma lição: uma noticia pode conter diferentes interpretações. O fato é a principal, mas as entrelinhas, que passam em sua maioria despercebidas, são essenciais para se compreender uma situação.
Parece complicado, não é? Bom, vou tentar usar uma outra figura de linguagem mais clara.
Quando uma guria está a fim de um cara, ela não diz isso explicitamente. Ela tenta dar pequenos sinais, como mexer no cabelo buscando uma falsa distração enquanto fala da última traquinagem que seu cachorrinho fez em casa, e por aí vai. Dizem que até a posição dos pés da moça pode influenciar em um convite, digamos, mais ousado. E quem diz que o homem vê este tipo de sinal? Eu não percebo, confesso. Seria bem mais fácil se a guria chegasse para mim e falasse “Oi, tudo bem? Gostei de ti, vamos namorar?” Mas não. Geralmente minha capacidade de interpretação da “libras” feminina acontece com um certo delay. Quando a ficha cai eu dou aquele tapa na testa a lá Homer Simpson e digo “d’uh!”
Transpondo isso para as relações midiáticas, eu seria um leitor/ouvinte/espectador burro. Eu sou aquele que não perceberia que o silêncio e a cara de cu do Willian Bonner após uma notícia política podem significar algo. Ou que as nuances de voz de um narrador esportivo podem demonstrar a sua predilescência pela vitória de um dos times. Na notícia impressa, o enquadramento de uma foto pode passar alguma mensagem subliminar. Tem gente que liga para o jornal reclamando que o título de uma determinada matéria seria tendencioso demais.
Assim como no amor, o jornalismo também é feito de nuances.
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Para ler: Campanha para voltarmos a escrever, e não teclar (e eu apóio)
Para ouvir: Elvis Presley – It Hurts Me
Para ver: É Maverick, desgraçado!
