E eis que eu fiquei mais velho na semana que passou. Sabe o que isso significa? Que caso eu entre na neura da geração saúde, seja um cara bonzinho com meus semelhantes, evite encrencas, e descarte o fator “lugar errado na hora errada”, tenho ainda pela frente mais uns 60 anos pisando nessa terra, antes de ser engolido pela mesma.
Eis que pergunto: 60 anos é muito ou pouco pra você.
Pra mim é pouco. Muito pouco.
Há mais ou menos uns 21 anos, eu ganhei meu primeiro video-game. E achava o máximo mexer aquela meia-dúzia de pixels em forma de um carrinho de Fórmula 1 de um lado para outro no Enduro. Anos mais tarde, com o salário do meu primeiro emprego, comprei um Playstation, e cheguei até o final do Medal of Honor jogando com meu pai.
E pensar que quando tinha sete anos de idade, via meus pais trabalhando em computadores gigantescos, de imensas telas negras com letras e traços verdes, e ficava fascinado. Hoje sou eu quem trabalha e “brinca com computadores, a ponto de aprender sozinho a fazer coisas que muito especialista por aí não é capaz de fazer.
Foi ontem também que eu fazia trabalhos e pesquisas para a aula buscando informações em volumes da Barsa ou em recortes de jornais locais. E tentava caprichar minha letra, motivo de muita reclamação por parte dos professores. Hoje a Barsa deu lugar à Wikipedia, e os jornais locais foram substituidos pelas versões online de publicações do mundo inteiro. Ah, só o meu garrancho continua o mesmo!
Aprendi a ler com as histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, do Donald, do Mickey, do Batman e do Superman. Hoje sou eu quem conta histórias, histórias da vida real, que muitas vezes conseguem ser mais interessantes e fantásticas do que a de um cara que sai voando por aí com a cueca por cima da calça.
Foi com quatro anos que comemorei meu primeiro aniversário rodeado de amigos. Amigos que conheci no dia, porque havia recém se mudado para um condomínio. Hoje já não moro mais no mesmo condomínio, mas aquelas pessoas que estavam lá se tornaram importantes para a vida toda, pois me ensinaram o valor da amizade, que cultivo até hoje e aumentando a cada dia com novos amigos.
Com cinco anos eu me apaixonei pela primeira vez. Suellen era o nome dela. Não lembro se era com dois “L” que se escrevia, mas toda guria bonita e legal como ela tem uma letra repetida no nome. E anos depois é que fui descobrir o que realmente significava gostar de alguém, a ponto de sofrer. Alguém com letras repetidas, também (triste sina, não? haha). Aprendi também que existem várias formas de amar alguém . E compreendi que até mesmo o mais nobre dos sentimentos não escapa da relatividade do tempo, com um início certeiro, mas um fim impreciso (isso quando tem um fim).
Há alguns anos eu era um guri tímido, que sentava no fundo da sala de aula para que os colegas não acertasse bolinhas de papel na cabeça, e no canto para que os professores não chamassem para fazer qualquer leitura na frente da turma. Que os colegas de aula só se lembravam na hora de fazer um trabalho em grupo ou pedir cola na hora da prova, mas se esqueciam no jogo de futebol da educação física, ou nos encontros fora da aula.
Hoje eu sou um jornalista. Mesmo sem ter um pedaço de papel oficializando isso, eu sou um jornalista. Um jornalista que já entrevistou desde diplomatas inernacionais até mendigos de rua. Que já superou a timidez e até palestras ja realizou. Que não leva desaforo pra casa, e que aprendeu a se impôr quando coagido. Que já fez tanta coisa nessa vida, que nem parece ter 26 anos.
E eu ainda tenho mais 60 anos pela frente. Para mim é muito pouco. Mas enquanto o sangue pulsar, e o ar expandir meus pulmões, continuarei aproveitando cada segundo em que estiver aqui.
O tempo é relativo. O futuro, incerto. E a vida, maravilhosa!
