
Eu tenho um certo ranso de pensadores e filósofos. Creio que isso tenha começado antes do TCC, mas foi durante o período da monografia que este sentimento se intensificou.Porque, um trabalho de conclusão de curso, segundo o Rodrigo, nada mais é do que usar a idéia dos outros para justificar algo que você tem certeza que é verdade. Então, para que servem anos e anos de estudos, se eu não posso formular uma mísera linha de raciocínio independente num trabalho que é MEU?
Enfim… Como eu sozinho não posso mudar as convenções acadêmicas, tive que me render e buscar uma vasta bibliografia que me ajudasse. E aí, outro problema: muitos dos livros que utilizei falavam sobre teorias estabelecidas no século XIX, ou até mais além do que isso. Resumindo: boa parte do meu TCC teve citações de pensadores cujo hobby era ver leões mastigando cristãos numa arena. E olhe que foi sobre um programa de TV! Tem gente que, pra falar de internet, usa Sócrates e Platão como referências!
O trabalho acadêmico acaba caindo na mesma ladaínha do pseudo-revolucionário-socialista-de-universidade. O cara se acha o suprasumo da inteligência porque leu Karl Marx, e acredita que aquilo é a verdade absoluta, e que se todo mundo seguisse à risca as palavras dele, o mundo seria um lugar melhor para viver. Todos eles são, na verdade, um bando de analfabetos funcionais que não conseguem entender que tais teorias sobre sociedade e comportamento humano foram formuladas há quase 200 anos.
Nietzsche, para mim, era uma onomatopéia de espirro. Dostoiévsky eu achava que era algum meio-campo que jogou com Petkovic na Sérvia, antes de ele vir para o Brasil. Tá, eu não sou tão ignorante assim. Isso foi só pra ilustrar que eu nunca li nada deles, e nem pretendo. O que eles sabem mais do que eu sobre a época atual? (Bah, me achei agora!) Alguns dirão que as suas explanações sobre os conflitos humanos são atuais e pertinentes. Não é por nada, mas eu tenho um conflito humano toda vez que chega uma nova conta em casa, e eu não tenho um pila no bolso. Não quero refletir sobre o existencialismo. Isso não vai fazer de mim uma pessoa melhor, e sim uma pessoa mais confusa (e o que é pior – preocupada com o problema existencial de um cidadão que viveu em 1800 e guaraná com rolha).
(E acredito piamente que esse povo todo está se revirando no túmulo porque suas idéias nunca foram postas em prática quando deveriam, e hoje são usadas para ilustrar nick de MSN e Orkut.)
O único teórico que eu li por completo foi Sun Tzu, em A Arte da Guerra. A frase mais célebre dele, e que um monte de gente repete à exaustão (principalmente nos nicks de… Ah, você já sabe!) é “Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo lutará cem batalhas sem perigo de derrota”. Se isso fosse uma verdade prática, os EUA teria achado o Bin Laden no Afeganistão, e as armas de destruição em massa no Iraque.
Lógico que eu, um estudante de Jornalismo, não tenho credibilidade para contestar os grandes pensadores, por ser um jovem sem conhecimento, embasamento e experiência de vida suficientes. Meu consolo é que daqui a 200 anos alguém ache essa bagaça na esfera virtual e publique um livro com as minhas teorias (comprovadas e inquestionáveis). Ai sim eu terei credibilidade. Mas a época será outra e eu não estarei vivo para colher os louros do reconhecimento.
E do jeito que a sociedade anda, é bem provável que até lá eles encontrem algo mais interessante para fazer do que pensar sobre a vida, o universo e tudo mais. Como jogar cristãos aos leões, por exemplo.
