Blog do Piero

Archive for fevereiro, 2009

Amor de Carnaval

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- Vamos lá, cara! Enquanto não aparece a pessoa certa, você vai se divertindo com as erradas!

Ele havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquela frase na vida. Ainda mais na véspera do carnaval. Se a máxima daquela marchinha fosse verdadeira, ele poderia se considerar um mau sujeito, com problemas mentais e pés tortos. O que não era verdade. Era só mais um cara que não gostava dos sons dos repiques e atabaques durante o reinado de Momo. Então, o que ele estava fazendo alí, fantasiado de pierrô, no meio daquele povo suado, bêbado, e assustadoramente feliz?

- Porra, meu! Nem parece que você nasceu no Brasil! Nem levantar os dedinhos como um gringo tu faz!
- É que isso aqui não é a minha praia…
- Tá, tá… Eu sei que não é a tua praia… Então ó, já que você tá aí parado, vai alí no bar e pega umas cevas pra nós. Toma aí a minha comanda.

E lá foi ele buscar umas “cevas” para o amigo que estava com as mãos ocupadas numa diaba da cor do pecado. Claro que não era simplesmente “ir até lá e pegar umas cervejas”. Era preciso atravessar um salão lotado, com sambão pegando e pessoas entorpecidas pulando de um lado para o outro. Esbarrou em alguns sultões e odaliscas antes de chegar ao balcão.

- Me vê uma ceva. Só bebendo pra aturar essa muvuca!

Foi quando ouviu um comentário ao seu lado.

- Bem-vindo ao clube.

Era uma mulher. Os cabelos dourados desciam pelos ombros e encobriam boa parte da fantasia comportada (vejam só) de enfermeira. Ele nem prestou atenção nas formas da moça, mas sim em seu comentário, raro num ambiente daqueles:

- Nem me fale. Só vim porque os amigos fizeram questão.
- Ô. E eu porque é a minha festa de despedida.
- É mesmo? Vai pra qual país?
- Haha! Pra nenhum. Vou ficar no Brasil mesmo. Vou trabalhar no Amazonas.
- E o que você faz?
- Não vê? Sou enfermeira!
- Hahaha! É mesmo!
- Nem precisei fazer fantasia. Viu como sou esperta?
- E o que a moça esperta vai buscar no meio da floresta?
- Emprego. Aqui não tem aparecido muitas vagas para enfermagem. Estão alegando “culpa da crise”. E lá têm muitas vagas abertas…
- Olha só, já que eu e você não gostamos de carnaval, porque não continuamos esse papo lá fora, que está menos barulhento e mais arejado. Topa?

Ela topou. E um certo amigo, além de ter ficado sem a diaba (que foi para o banheiro vomitar) naquela noite, também ficou sem a comanda e sem a cerveja, que estava divertindo um novo casal sob um céu de estrelas.

Trocaram nomes, gostos, divergências e afins. Conversaram sobre religião, rumos do governo, e livros que ambos andavam lendo. Ele confessou que não sabe dançar, e que tem vergonha disso. Ela confessou que até gosta de um sambinha, de um pagodinho de vez em quando, mas que estava sem clima para festa por causa da viagem. Ele prometeu fazer ela rir, e falou bobagens a noite toda. Ela riu daquele pierrô divertido, e prometeu nunca mais esquecê-lo. Era sábado de carnaval, e ela viajava na quarta-feira de cinzas. Se encontraram na festa de domingo, na de segunda e na de terça também. E em todas se divertiram, se sentiram e se amaram de um jeito próprio que só eles sabiam.

Na manhã de quarta-feira de cinzas, uma voz ecoou pelo saguão do aeroporto anunciando o vôo 1607 para Manaus. Ela faz o check-in no guichê, e preparava-se para ir a sala de embarque. Quando ouviu uma voz chamar tal qual um desenho animado:

- Olá enfermeira!

Ela se virou, e apesar do susto, abriu um grande sorriso:

- Meu pierrô? Você por aqui?
- Eu não podia deixar de vir aqui me despedir.
- Mas por quê?
- Por que o tempo é relativo. E em pouco tempo que a gente se conheceu, foi o suficiente para uma vida. Você significou muito para mim, como eu jamais pensei que um dia aconteceria.
- Eu… Eu também sinto o mesmo!
- Mas tudo tem o seu tempo. E o nosso foi rápido como um cometa, mas não menos intenso…
- E agora, o cometa está passando… E sabe-se lá quando a gente vê ele de novo.

Se abraçaram e se beijaram, como se fosse o primeiro beijo apaixonado de cada um. Ela enxugou a lágrima dos olhos:

- Nossa! Isso foi muito poético Parece até novela!
- É mesmo, hahahaha! Me lembrarei de vender os direitos autorais!
- Hahahaha! Bobo! Me fazendo rir de novo!
- Eu prometi isso, não?
- Promete que vai me deixar um scrap no Orkut todo dia, pra eu não morrer de saudades?
- Ninguém morre de saudades. Só se aprende a viver sem um pedaço do coração. Mas eu escrevo sim. E você? Vai me esquecer?
- Toda vez que eu rir, vou me lembrar de você.

Última chamada para o vôo. E ela sumiu em meio ao portão de embarque, em meio a um sorriso e uma lágrima. Assim que ela sumiu de vista, ele finalmente pôde deixar a sua faceta de pierrô sair, com um riso triste e salgado. Saiu de lá rumo ao trabalho, já que tudo voltava ao normal depois do meio dia. Não sem antes cantarolar uma antiga marchinha de carnaval, que aprendera nos últimos dias, e que servia para aquele momento:

Guardo ainda bem guardada
A serpentina
Que ela jogou.
Ela era uma linda colombina
E eu, um pobre pierrô.

Guardei a serpentina
Que ela me atirou
Brinquei com a colombina
Até as sete da manhã

Chorei
Quando ela disse:
“Vou-me embora.
Até amanhã,
Pierrô, até amanhã!”

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posted by Piero Barcellos in Ficção,Vitrolão and have Comments (5)

Prioridades

Tem vezes na vida que um cidadão de bem precisa se preocupar com coisas mundanas. Foi o que aconteceu comigo, quando decidi que precisava de um óculos de sombra. Horas e horas derretendo as pupilas em frente a um computador, ao menos protejeria os olhos quando estivesse caminhando sob o sol faraônico de Porto Alegre.

Mas não queria algo tradicional. Queria um óculos que refletise um pouco a minha personalidade e o meu estilo. Então fui atras de um modelo igual a este aqui:

Ozzy comendo a cabeça do Caco

Não coma a cabeça do Caco, Ozzy!

O problema é que modelos assim sao difíceis de encontrar. Nenhuma loja popular de óculos comercializa esse modelo. E olha que eu passei em várias. Eis que descobri uma loja que vende o bendito. Fui lá então. Um vendedor metido a descolado me atendeu.

- E aí brou, que manda?

Expliquei o modelo de óculos que eu queria. Só haviam dois na loja, e com a lente escura. Eu queria da cor tipo a do Ozzy, ou azul escuro, ou vermelho escuro (pra combinar com o Opala, rá!). Eles não tinham, mas havia a possibilidade de encomendar. Como já foi difícil encontrar o modelo que queria, não estava a fim de esperar mais tempo, e iria levar o preto mesmo.

- Quanto custa, amigão?

- R$ 188.

O mundo parou de rodar em um segundo. Pô, R$ 188 num óculos? OK, não é muito dinheiro, mas também não é pouco. Será que vale a pena? Na hora me lembrei que o PC precisa de memória RAM e de uma placa 3D nova, para que eu possa jogar, no mínimo, decentemente. E que também por esse valor eu poderia comprar um modem wi-fi lá pra casa. Ou dar de entrada na compra de um iPod Touch. Ou comprar uma das peças necessárias pra fazer o Pieromobile ao menos andar. E eu vi também um DVD do Elvis com as apresentações dele no programa do Ed Sullivan… E o óculos alí, na minha mão…

A decisão final só ocorreu quando eu coloquei o maldito na cara e me olhei no espelho. Na hora a referência foi clara:

Zeca Pimenteira

Tem gente que tem olho goooooordo!

- Valeu cara. Eu vou dar uma volta no shopping, ver outros modelos, e qualquer coisa te procuro.

Nesta vida nós temos que definir prioridades. E no meu caso, prioridades se resumem a alimentar o meu lado nerd/geek/old school, e não ser confundido com um personagem do Zorra Total.

Aproveitando, amanhã terei como uma de minhas prioridades assistir o remake de Sexta-Feira 13. Talvez o filme não seja lá essas coisas, mas estamos falando de Sexta-Feira 13, e que estréia numa sexta-feira 13! Coincidências assim não acontecem sempre!

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posted by Piero Barcellos in Cotidiano and have Comments (3)

OPALA-AID

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Como a maioria sabe, sou um feliz proprietário de um Opala 1975. Consegui comprar exatamente o carro que eu queria ter para a vida toda – quatro portas, mudança de marcha na direção, banco inteiro na frente, uma maravilha de luxo e design que só os anos 70 poderiam proporcionar. Aqueles que já deram uma volta no carro sabem que ele é único!

Porém, nem tudo são flores. Com a crise mundial e com o aumento do barril de petróleo, fica muito difícil para mim, um camponês simples de nobre coração que vai todos os dias ao bosque recolher lenha estagiário simples de nobres intenções que vai todos os dias à São Leopoldo estudar Jornalismo arrumar o carro. Os problemas são constantes e, nem sempre, financeiramente solucionáveis (principalmente quando se recebe todo mês o doc de pagamento de uma instituição de ensino de fino garbo). Há mais de cinco meses o Opala está parado na garagem por conta da quebra no setor de direção, e precisando de pequenos reparos na lataria extena, e muitos na interna (reparos estes que se tornam maiores conforme o passar do tempo).

Eu poderia fazer como muitos, e contar uma história triste e comovente. Mas a minha vida, graças à Deus, teve um rumo feliz, com uma família unida, rodeado de grandes amigos, e realizado profissionalmente. Mas sem um carro para rodar por aí, para dar carona aos amigos nos dias de beberagem (já que eu não bebo, posso levar o povo pra noite), para ir à Bento Gonçalves aprontar altas confusões com uma galera do barulho, dentre outras coisas.

A minha ÚNICA solução é participar do Lata Velha do Caldeirão do Huck. E eu preciso da sua colaboração, nobre leitor! Colaboração esta que não lhe custará mais do que cinco minutos do seu tempo e nenhum dinheiro! É simples:

- CLIQUE AQUI e acesse o formulário do Lata Velha.

- Preencha com os dados que você achar pertinente (alguns espaços eu creio que você pode deixar em branco por serem destinados ao dono do veículo).

- No único espaço obrigatório de preenchimento, coloque o link do meu perfil no 8P, que é este: http://www.8p.com.br/piero/

- No fim do formulário há um box escrito “Caso seja parente ou amigo do dono, explique qual o grau de aproximação com o mesmo e dê uma sugestão para capturar o carro”. Aí é com você! Aos conhecidos, peço que façam isso de coração, se acharem que eu mereço ter meu carro reformado em troca de pagar um mico em cadeia nacional. Aos desconhecidos… bem… Eu sou um cara legal, escrevo coisas engraçadinhas aqui, na VOID e no Hit na Rede, ajudo velhinhas a atravessar a rua, e que preciso do meu Opala para voltar a combater o crime nas noites de Porto Alegre. Nada mais do que a verdade verdadeira!

Peço também que repassem o link deste post para o maior número de pessoas que conhecerem. Creio que, se muitas pessoas se prestarem a indicar o meu carro para a reforma, a produção do programa irá se interessar mais pelo meu “case”. Mande o link por Orkut, MSN, pelo feed do Reader, coloque no blog… divulgue da maneira que achar melhor! Eu acredito no poder da internet porque ele está com a gente! (isso soou muito “Capitão Planeta“…)

As únicas coisas que posso prometer a todos em troca são caronas eternas para todas as baladas, happy hours e afins (mesmo aquelas que eu não curto), compensar as inúmeras caronas e viagens que meus amigos proporcionaram, e lhes garantir que poderão encher a cara, sem medo, pois um exímio motorista sóbrio garantirá sua volta para casa num carro de luxo!

Conto com vocês!

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posted by Piero Barcellos in Cotidiano,Mídia and have Comments (19)

Talento e Fúria

Janeiro costuma ser um mês bem movimentado para mim. Além do trabalho, muitos amigos e parentes fazem aniversário nesta época. Isso sem falar nas formaturas. Só numa semana foram quatro festas de formandos em Jornalismo. E, lógico, não tive como escapar da pergunta fatídica: quando irei me formar. A situação financeira diz que é em 2010, mas até lá muita coisa pode acontecer, como, sei lá, uma invasão zumbi (ia ser legal ao menos).

Tirando as festas de formatura (onde inevitavelmente você encontra colegas de profissão), nas demais eu sempre era apresentado como “o cara que faz Jornalismo”. Aí não demora pra se formar uma roda de pessoas em volta de mim disparando perguntas diversas sobre a profissão. E não raro aparecia alguém dizendo, com os olhos brilhando, que quer ser jornalista também. Aí eu fico fitando a criatura, que me encara esperando palavras de incentivo.

- Er… Bem… Você tem certeza?
- Sim, tenho.
- Bom… Boa sorte então.

Na verdade eu falo bem mais do que isso. E tento explicar que não é tão simples assim. Meu amigo Eduardo diz uma coisa que é uma verdade inquestionável: Jornalismo não é uma profissão. É uma vocação. Você é escolhido para ser comunicador. Neste caso, como a Comunicação social abrange três áreas distintas, é bom você ver, pelas suas aptidões, em qual se enquadra mais:

- Gosta de escrever, de ler, sabe interpretar textos, e quer mudar o mundo – Jornalismo.
- Gosta de escrever, de ler, sabe interpretar textos, rabiscava o caderno com desenhos ao invés de prestar atenção em aula, e quer ganhar dinheiro – Publicidade e Propaganda.
- É uma pessoa feliz que nem um Tele-Tubbie, acha que o mundo é lindo e cor de rosa, e fala que nem a Xuxa – Relações Públicas.

Repito: gostar de ler, de escrever e de interpretar textos. A impressão que eu tenho é que tem muita gente que faz jornalismo pensando em TV ou rádio, achando que nestas áreas de atuação se escreve menos. Pelo contrário: se escreve mais, e em pouco tempo (é a coisa mais linda do mundo uma patricinha mimada vendo seu castelinho de areia desmoronar ao saber que vai trabalhar feito um peão e nunca chegará a ser uma Patrícia Poeta. MWAWAWAWAWA!!!!). Leia jornais e livros diversos, não fique só no Harry Potter. Leia livros de Jornalismo, mas não transforme o Rota 66 em uma bíblia da profissão. Escreva, tenha um blog – mas não faça dele um diário miguxo.

Agora, o principal de tudo está em duas palavras, que servem não só para os contadores de histórias, mas para qualquer outra profissão: talento e fúria. Juntar palavras, sílabas, qualquer alfabetizado faz. Ordenar palavras de forma harmônica, que possa passar uma mensagem direta, informar, provocar sensações, poucos fazem. Isso é o talento. Mas de nada adianta o talento sem a fúria. Jornalistas são humanos – sentem, sofrem, se comovem. Escreva com fúria, com raiva – coloque seus sentimentos na ponta dos dedos e deixe fluir. Nunca se conforme diante da corrupção, do crime, dos empresários exploradores, da miséria do povo.

Por fim, se eu pudesse dar um conselho, seria “use filtro solar”. Principalmente se você tiver que cobrir um evento no olho do sol.

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- Muito tempo sem atualizar, eu sei. Não irá se repetir.

- Agora eu também sou colaborador do Hit na Rede, da minha amiga Cler. Prestige!

- Ana Paula, Michele, Rodrigo e Zezé: parabéns, contadores de histórias!

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posted by Piero Barcellos in Cotidiano and have Comments (11)