Há oito anos eu trabalho com jornalismo. Ainda não me formei, mas me considero jornalista por “uso capião”. E quando alguém me pergunta sobre a profissão, querendo saber mais detalhes, digo sempre duas coisas. A primeira é a que todo mundo do meio diz: “Jornalismo é uma cachaça”. Creio eu que o contexto da frase é a de que exercer a profissão pode fazer mal, mas vicia. O que é fato. A segunda coisa que eu digo é simples: “Não acredite nos jornais”.
Suponho que você não nasceu por cissiparidade ou brotamento, e que um dia já foi criança. Provavelmente seu pai ou sua mãe já contou alguma história para você dormir ao pé da cama. Na época, a sua ingenuidade infantil fazia você crer que existiam porquinhos arquitetos, maçãs envenadas por bruxas, fadas que trocam seus dentes de leite por dinheiro, e que o seu nariz pode crescer caso conte uma mentira. Histórias que superficialmente, tinham o intuito de fazer você dormir, mas na verdade tinham outros objetivos, dentre eles induzir valores e comportamentos para a vida toda. Chapéuzinho Vermelho ensina a não falar com estranhos, Branca de Neve a não aceitar coisas de desconhecidos, Pinóquio a não mentir, e por aí vai…
Pense que o jornalismo nada mais é do que o ato de contar uma história. Uma história real, que aconteceu, que está acontecendo, ou que acontecerá (de acordo com previsões no presente). E que está sendo contada para um número sem fim de pessoas – ampliado para o inimaginável hoje graças a internet. E isso influencia a sua vida. Se você lê uma matéria falando que determinada região da sua cidade é extremamente perigosa, provavelmente evitará andar por lá à noite. Se você é empresário, irá guiar os seus investimentos de acordo com as notícias do mercado financeiro. E antes de sair de casa, procura ver a previsão do tempo no noticiário. Sua vida é guiada pela informação. Muito mais do que você imagina.
Agora, como comprovar que uma história é verdadeira? No caso dos contos de fadas, são seus pais que estão contando. E, bem, o nariz deles nunca cresceu…
No caso do jornalismo funciona um pouco diferente. Pense que todo dia acontecem inúmeras historias. Nem todas podem ser contadas num jornal, ou em um noticiário. Então e feita uma seleção das histórias que supostamente seriam mais importantes para o público-alvo atingido pelo veículo. Os jornalistas vão atrás dos detalhes dessas histórias, que depois você recebe em casa no jornal, no rádio, na TV, na Internet. E você acredita. Por vários motivos. Dentre eles, o fato de que no imaginário popular estabeleceu-se que o jornalista possui o compromisso moral e ético de dizer apenas a verdade, e de ser imparcial ao contar as suas histórias.
Voltando ao conto de fadas. E se um belo dia seus pais resolvessem lhe contar que o lobo mau não é tão mau assim? “Veja bem, meu filho… Ele so atacou a avó da Chapeuzinho Vermelho porque faz parte do instinto dele. Se a velhinha não tivesse implicado com o pobre lobo, nada disso iria acontecer. E os lobos não são tão maus assim. São uma peça importante na cadeia alimentar da floresta”. Não deixa de ser verdade. E você acredita, mesmo sem saber que foi o próprio lobo quem deu essa história para seus pais.
No jornalismo não é diferente. Muitos “lobos” se aproveitam da abrangência da mídia para contar suas histórias, e assim, influenciar o comportamento das pessoas a seu favor, seja através da assessoria de imprensa, do relacionamento comercial com os diretores do veículo, ou da influência política sobre os mesmos. E lógico, há aqueles jornalistas, maçãs podres da profissão, que em troca de um “presentinho”, abrem espaço para os lobos da vida real – empresas, políticos e afins. Lobos que se aproveitam da péssima educação de um país que não forma leitores críticos e sim analfabetos funcionais, para exercerem sua influência sobre a opinião pública. E assim se deturpam boa parte das histórias que chegam até você. Demissões em massa de empresas, manobras políticas, ações da gestão pública…
Enquanto estes lobos existirem, eu digo: Não acredite nos jornais. Seja um leitor crítico. Este é o meu conselho.
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Dedicado aos lobos do jornalismo, que não merecem atuar nesta profissão, nem serem chamados de jornalistas.


O que me deixa irritado é a embriaguez do estudante com o romantismo jornalístico. Poxa, eles imaginam algo que vai mudar o mundo, denunciar crimes, ser uma Lois Lane ou Clark Kent só que não é bem por aí a coisa.
Em umas aulas passadas de ética, um cara ainda acreditava que poderia mudar uma rádio de Carazinho, onde trabalha. É mais fácil ele crescer como profissional e trocar de rádio do que mudar o veículo por amor. Mas não teve jeito, ele não entendeu isso.
Já dizia o Rockz: o amor é uma piada. Ainda mais o profissional.
Ah cara, só padres acreditam em verdade. O resto só quer viver bem.
[...] Leia mais direto na fonte: piero.jor.br [...]
Daí Piero… Dando uma aula introdutória de jornalismo então?! O que mais temos são colegas que querem ocupar as novas vagas dos antigos lobos. Mas essa relação de poder sempre vai existir dentro do jornalismo, principalmente no Brasil, que em pesquisa recente foi apontado como o quinto país mais corrupto dentre os pesquisados. Era isso então… Ops! me lembrei agora… como foi o semestre com as meninas de RP? Conseguiu ensinar alguma coisa interessante para elas como a prática da “espiral do silêncio”, ou posições como a “pirâmide invertida”… hehehe… até mais… abraço
Cara, encontrei o teu blog pelo do Rodrigo. Parabéns velho, excelente teu blog, muito bom mesmo!
Adorei o texto sobre as eleições do DCE e a catástrofe de Santa Catarina. Não existe coisa que me deixe mais enfurecido do que essa babaquice de “menos pior”. Por isso que estamos nessa merda toda!
Falando em DCE, o da Ulbra foi o único que apoiou a reitoria nessa crise toda da universidade, fizeram campanhas e tudo o mais. Até que se descobriu que o presidente do mesmo é parente do reitor da Ulbra! Não preciso dizer mais nada né…
Excelente blog, vou te add aos meus favoritos!
Abraço