Esta semana teve eleição para o Diretório Central dos Estudantes na minha universidade. Como sempre, me neguei a votar, e desviava de todo e qualquer burburinho de gente disposta a me estorvar com panfletos e ideologias falidas. Dias antes houve um debate entre as chapas, organizado por estudantes de Jornalismo. Não participei do evento (estava em aula), e pelo que me contaram, nenhum daqueles que estavam lá almejando representar os estudantes conseguiam dar respostas para perguntas simples, do tipo “como vocês vão mobilizar os alunos para participar do movimento estudantil?”. Todos incapacitados.
Há muito tempo eu percebi aquilo que muita gente ignora ou finge que não vê: essa balela toda de movimento estudantil nada mais é do que um “jardim de infância” para futuros políticos. Chapas são financiadas com dinheiro dos partidos, e os eleitos utilizam-se do espaço (que era para ser dos alunos) para impôr sua ideologia e utilizar o status do cargo para concorrer a uma futura candidatura como vereador ou deputado. Enquanto isso, minha mensalidade aumenta, os equipamentos da universidade estão sucateados e ninguém faz nada. Sempre que eu tive algum problema lá dentro eu mesmo resolvi – procuro os responsáveis, busco informações, e corro atrás dos meus direitos. Não espero pelos outros. Até porque, se eu resolvesse esperar por quem deveria me representar…
Muita gente veio perguntar a minha opinião sobre as eleições, em quem eu ia votar, e em todos os casos tentava convencer as pessoas a não votar, já que não adianta nada, e que o melhor era não ter um DCE na universidade para ficar enchendo o saco. E sempre tem aquele que evoca a importância do voto como elemento democrático. Que eu, por me abster do pleito, não poderia cobrar ações de quem for eleito. E que se a situação intelectual e ideológica dos candidatos é triste, que eu deveria votar naquele que é “o menos pior”.
O argumento do “menos pior” é, na minha opinião, o mais idiota. Serve apenas para justificar a nossa inércia em exigir que cidadãos mais íntegros e comprometidos sejam nossos representantes. Isso é coisa de quem se conforma com a corrupção, com a exploração e com a degradação da sociedade. Isso não só na esfera política, mas na trabalhista, na comunitária, na estudantil…
O maior exemplo prático desta degradação está acontecendo neste instante em Santa Catarina. O estrago promovido pelas chuvas e desmoronamentos desabrigou quase 80 mil pessoas, fora os mortos e desaparecidos. Lojas e supermercados saqueados, e comerciantes gananciosos cobrando R$ 4 por UM pãozinho!
Viu as imagens ai de cima? As fotos são da cidade de Blumenau em 1983. Os catarinenses ja foram afetados anteriormente por tragédias naturais tão grandes quanto as atuais. Nos telejornais matutinos de hoje houve diversos relatos de pessoas que perderam tudo o que tinham na enchente de 1983, e agora perderam de novo nesta de 2008. São 25 anos entre uma tragédia e outra. Isso equivale a SEIS MANDATOS de prefeito e CINCO MANDATOS de governador. Em 25 anos, será que nenhum gestor público pensou em fazer um projeto de engenharia e urbanização para que catástrofes como esta não se repetissem mais?
Esse é o resultado de 25 anos elegendo políticos “menos piores”.
Se você está comovido(a) com a tragédia, tenha convicção de que o Governo pouco fará para ajudar aquelas pessoas. Que provavelmente, do total de 1,7 bilhão destinados às vítimas, mais da metade se perderá nos meandros obscuros dos corruptos. No país do “menos pior”, 80 mil pesssoas contam apenas com o melhor que cada um de nós pode dar.
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Em tempo, se você é daqui do RS e quer ajudar, as divas esclarecem.
À propósito, gostaria de saber se a elite burguesa que criou o movimento Cansei, se os 30 mil desocupados que estiveram no enterro da Eloá, ou os milhares de “populares” que acompanharam o caso da Isabela vão deixar de ser um peso morto e ajudar as vítimas de SC.



