Pare agora o que você está fazendo. Respire fundo, e faça um minuto de silêncio. Ontem morreu a dignidade humana. Ou o resto dela que ainda pairava por aí. Foi inevitável: ela estava na frente da trajetória das balas que atingiram as duas adolescentes em São Paulo. E apesar de ser uma ação trágica, ela serviu para nos ensinar algumas coisas. Read more…
Archive for outubro, 2008
A musa do T11
Quando estava no Rio de Janeiro, acabei me encantando por uma moça linda do interior de São Paulo. Comentei isso com meus colegas de quarto no albergue, e acabei levando um puxão de orelha de um deles:
Cara, o que tu quer com essas mulheres daqui? Tu vem de uma terra que só tem mulher bonita, só as galegas de olhos azuis, e vem querer coisinha logo aqui?
Infelizmente não tive a oportunidade de falar para ele a minha teoria de que gaúcho em terra estrangeira acaba recebendo um assédio bem maior do público feminino (tornando-se uma espécie de super-herói), coisa que não acontece na Província de São Pedro. Porém, ele tem razão. E nesta segunda-feira eu tive esta confirmação.
Segunda-feira acordei cedo, muito cedo. Tinha uma reunião marcada na primeira hora da manha. Como eu pego dois ônibus para trabalhar, saí de casa praticamente na madrugada. Entrei quase dormindo no primeiro ônibus. Pra ter uma idéia como estava a minha cara, uma senhora me deu dois reais, contanto que eu comprasse algo pra comer e não gastasse com pinga.
Desci na parada e fiquei esperando o segundo coletivo, conhecido como T11. Os ônibus da linha “T”, em sua maioria, costumam cortar a cidade de um ponto ermo, como a zona sul de Porto Alegre, até as regiões de maior movimentação, comércio e indústria. Até onde eu sei, o T11 vai até o aeroporto – e quem mora na cidade sabe que a distância é longa. Unindo um longo percurso mais o horário de pico do êxodo dos trabalhadores da periferia, temos ônibus extremamente lotados. Quem não está acostumado, olha o coletivo de longe e diz que as empresas de transportes estão investindo em vidros fumê. Não é. De tão lotado não é possível enxergar o interior. E não é exagero.
Embarquei já mais acordado dessa vez, tentando localizar um cantinho no ônibus para me acomodar e ficar de pé. Parei na roleta para pagar a passagem, e eis que me deparo com ela: morena, olhos grandes e amendoados, rosto delicado, cabelos negros e lisos que desciam pelas costas, ora encontrando o caminho dos ombros encobrindo o busto. Numa rápida observação, deve ter cerca de 1m60 de altura e, no máximo, 20 anos, um pouco mais. Linda mesmo.
“Pode passar”, ela disse. Sim, era a cobradora.
Porto Alegre não é uma cidade normal. Uma cidade onde uma guria consegue ficar bonita dentro do ônibus, e ainda trabalhando como cobradora… Não é normal…
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P.S.: Eu poderia ter batido uma foto para comprovar a beleza da moça. Mas como eu não sou um pervertido, vocês terão que confiar no meu relato.
Forever
Me recusei a assistir ao VMB ontem. Da mesma forma que tenho evitado ouvir rádio FM e ver determinados programas de TV. Não dá pra engolir os hits do momento. De Mallu Magalhães a Amy Winehouse, de Frezno a The Bloc Party, não consigo gostar de nada, e acho tudo uma grande merda. Os tempos mudaram, as músicas são outras, o público deixa de ser apreciador para ser consumidor, e o passado ficou para trás, para onde não é permitido olhar nem enxugar uma lágrima de saudosismo sem ser chamado de retrógrado e antiquado, dentre outros adjetivos.
Sabe do que eu sinto falta? De músicas que refletem um sentimento, cuja letra marcante acaba se tornando parte da trilha sonora da tua vida, que marcam uma geração. Faltam músicas com menos apelo comercial. Faltam músicas com alma própria, daquelas que o tempo não consegue apagar.
Música boa é aquela que fica para sempre:
- O que você quer ser quando crescer, filho?
- Quero ser Gene Simmons, mãe!
- Calaboca menino! Vai estudar pra ser alguém na vida!
(é assim que perdemos todo dia um rockstar de sucesso e ganhamos mais um administrador de empresas aficcionado por 5S)
Eleições 2009 – Porto Alegre
Monumento em homenagem ao Cu do Mundo, localizado em Porto Alegre (tanto o monumento quanto o cu).
Neste dia 5, você tem um compromisso. É o dia em que você vai escolher aqueles que, por quatro anos, assumirão a culpa por todas as coisas ruins que acontecerem na cidade. Inclusive por aqueles em que você é o único responsável (falo para os hipócritas que reclamam que as ruas estão sujas, mas não separam o lixo em casa e jogam papel de bala na rua).
Em Porto Alegre, uma eterna província de pseudo-europeus egocêntricos, temos um leque de opções interessante. Sente só o cenário político do eleitor:
- O atual prefeito é também candidato, e as melhores coisas que ele fez na vida são as músicas Vento Negro e Porto Alegre é Demais. E só.
- Em seguida vem uma comunista adolescente de grife, que se esforça na TV para conjugar os verbos em bom dialeto gaúcho (ficou bem forçado na TV, moça!) e é uma ex-gorda.
- Ao seu lado, uma deputada federal cujo destaque da sua gestão foi trazer o menino Iruan de volta pro Brasil (e ele tem até artigo na Wikipedia, pra quem não lembrar).
- Outro cidadão que está na disputa pertence a um partido de pessoas e atitudes um tanto quanto duvidosas, que para angariar os votos da juventude, optou por ter como vice um filhinho de papai metido a rapper e engajado com a periferia (e que não sabe ler um teleprompter!).
- Também temos a filha rebelde, que para melhorar a imagem de revoltada, fez chapinha e está até “pegável”, digamos assim (só falta um fonoaudiólogo pra tirar a voz de criança).
- Já que temos a filha revoltada, temos o bom filho, preocupado com a saúde, mas que tem cara de quem toma Chambinho todo dia, e que vai chorar se alguém ralhar com ele em voz alta.
- Por fim, temos um tio com nome de avenida, que só sabe falar em trem-bala, e os nossos trabalhadores socialistas radicais de sempre, que ora alternam entre o gordinho barbudo e a tia com cabelo tijelinha.
Claro que esta foi uma análise superficial dos candidatos, que não necessariamente reflete a realidade. Porém, diante da situação política em que vivemos, acho por bem utilizar este espaço para divulgar quais são as minhas escolhas para prefeito e vereador no pleito. Colocando todas as opções lado a lado, comparando prós e contras de todos os candidatos, cheguei à conclusão que as melhores opções seriam: Read more…
Este sou eu
Não gosto de Chico Buarque. À propósito, não gosto do pseudo-elitismo da bossa nova e da MPB.
Não gosto de Amy Winehouse, e de nenhuma dessas falsas novidades pasteurizadas que tentam nos enfiar goela abaixo.
Meu lado moderno é retrô.
Odeio esses porto-alegrenses metidos a europeus alternativos.
Modismos, hypes e tendências são coisas totalmente idiotas feitos para padronizar as pessoas.
Não bebo, e não tenho nada contra quem bebe.
E não vou beber se você me oferecer.
Não fumo, e tenho tudo contra quem fuma.
Ouço música gospel sem ser crente.
E ouço música sertaneja sem ser plantador de tomate.
Não gosto de futebol, e quero que o Grêmio e o Inter se fodam.
Meu único time é o do puro, bom e velho rock’n'roll.
Não quero (mais) trabalhar na RBS.
Não acredito em políticos.
Estou cagando e andando pra moda.
Sou gordo e não me incomodo mais com isso.
Ser magro não faria de mim uma pessoa melhor.
Uma mulher não vai chamar a minha atenção pagando de gostosa.
Sou fiel e acredito no amor em um mundo onde as pessoas são descartáveis e ignorantes.
Tenho opiniões muito fortes.
Falo o que penso sem me preocupar com as consequências.
Não tenho o hábito de pedir desculpas.
Se eu falar que tenho razão em algo errado, deixe que eu sozinho descubra que estou errado.
Não tente argumentar nada comigo na estupidez.
Não vou mudar meu jeito de ser para agradar quem quer que seja.
Não tente me rotular – eu sou único.
Muito prazer, este sou eu.
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Inspirado no excelente post da Nathy. Não duvido que se torne um novo meme da blogosfera.
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Eu estou…
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