Em 2006, o seu contemporâneo Jerry Lee Lewis lançou um CD de duetos intitulado “Last Man Standing” (O último homem de pé). O senhor encara isso como uma afronta?
Essa é a pergunta que ninguém fez a um dos gênios do rock, durante sua turnê no Brasil. Chuck Berry toca amanhã em Porto Alegre e, ao que tudo indica, pega o primeiro vôo para fora do país após o fim do último acorde. Vai embora sem responder a minha pergunta. Mas com a certeza que os nossos jornalistas, além de mal informados, não são capazes de formular outras questões além das tradicionais “o que você mais gostou no Brasil?” e “quais os músicos brasileiros que você conhece?” para os que vem de fora.
Explico o porquê da minha pergunta: Em uma apresentação para a TV no final dos anos 50, o produtor do programa conseguira reunir no palco duas lendas do rock – o consagrado Berry, e um até então desconhecido pianista chamado Jerry Lee Lewis. Apesar da disparidade da fama, os dois já mantiam uma rivalidade que ultrapassava os limites da música.
O acordo feito com os músicos era que o show principal seria do Chuck Berry, e que a abertura ficaria com Jerry Lee. Tudo acertado, cada um se preparando em seu camarim, e a platéia lotada no anfiteatro aguardava o espetáculo.
Jerry Lee Lewis sai do camarim em direção ao palco, onde o piano lhe esperava. Todos na produção estranhavam o fortíssimo cheiro de gasolina que estava empregnado no músico, mas ninguém quis comentar nada, com medo de uma represária ou um “piti” de artista.
O que as pessoas assistiram naquele momento foi um Jerry Lee insandecido, tocando como se fosse o último dia da sua vida. A galera delirava. E isso que era apenas um show de abertura. Para encerrar, enquanto tocava um de seus maiores sucessos, “Great Balls of Fire”, puxou de dentro do casaco uma garrafa de coca-cola cheia de petróleo puro. Derramou o líquido em cima do piano, tocou fogo, e continuou a música, sem se importar com as chamas! O cara é louco! O público urrava como animais excitados! Era o ápice da atitude rock’n'roll!
Terminado o show, a galera ainda continuava agitada. Jerry Lee saiu do palco, foi direto para o camarim de Chuck Berry e disse “Agora faz melhor, negão”. Ninguém se lembrou do outro show, e todo mundo só mentou a performance do “The Killer”, como Lewis passou a ser chamado.
Ah, sim. Pelo “teor” da apresentação, a transmissão foi cancelada.
Dá pra ter uma idéia assistindo ao clipe do filme “Great Balls Of Fire”, onde Denis Quaid interpreta o Matador:
P.S.: Era pra este post ser uma homenagem a Chuck Berry, mas fugiu ao meu controle. Acho que é raiva de não poder ir ao show…
