Explicando rapidamente: o jornalista Políbio Braga colocou uma nota em seu site, criticando a atitude da Unisinos, universidade onde eu estudo, em chamar o MST para palestrar aos estudantes de comunicação. Eu não sou lá um defensor do MST, eles têm mais a minha crítica do que o meu apoio. Só que o dito “jornalista” pegou pesado ao ofender os estudantes de jornalismo, principalmente os da Unisinos, além de debochar da resposta dada à ele pela instituição.
Como o site do senhor Políbio Braga é tão funcional quanto suas idéias, não tenho como postar os links para elas. Aos mais curiosos, sugiro usar o sistema de busca da página dele pelas palavras chaves “MST” e “Unisinos”. Abaixo, a minha resposta:
Prezado Políbio Braga;
Acompanhei as notas no seu site sobre a palestra proferida na Unisinos pelos membros do Movimento Sem-Terra (MST). Como estudante de Jornalismo, decidi me manifestar, principalmente por não ser um defensor do movimento o qual o senhor classifica como “terrorista”. Porém, isso não impede de discordar da sua opinião.
Primeiramente, por mais que o senhor acredite em fazer um jornalismo dito opinativo, as suas idéias poderiam ser expressas de outra maneira, sem debochar o direito de resposta da gerência de comunicação da Universidade. Os seus grifos no meio do texto demonstram uma infantilidade de lidar e compreender o tema. Este tipo de agressão só acontece quando uma pessoa não possui argumentos suficientes para fazer o debate fluir. Isso, com certeza, não é digno de alguém que recebe a alcunha de jornalista e se auto-intitula como “o principal blog político do sul do Brasil”.
Em outro momento, o senhor critica a formação de futuros jornalistas pela universidade, o ensino proporcionado por ela, e o “perigo” que a tal palestra oferece aos estudantes. Como há muito tempo o senhor não deve freqüentar o meio acadêmico, asseguro-lhe que mais de 95%, senão a totalidade dos estudantes universitários ingressa no primeiro semestre aos 18 anos, ou seja, em plena maioridade segundo a justiça brasileira. Não são mais crianças que seguem a cabeça dos pais. São adultos que formam opiniões e tomam decisões sozinhos. E tal como a justiça também garante a liberdade de expressão ou de opinião, cabe a eles decidirem se vão assistir ou não à referida palestra.
Aproveito para lhe informar que a grande maioria dos estudantes não é sustentada pelos pais. Eles trabalham em estágios muitas vezes mal-remunerados. São a chamada “mão-de-obra barata e qualificada”. Muitas empresas, como as que aparecem em seu site, demitem funcionários fixos para a contratação de acadêmicos, em busca de um maior lucro. E em busca da experiência na área, de dinheiro para pagar a universidade, o estudante se sujeita a trabalhar tanto quanto um graduado. O senhor deve ter estagiários trabalhando na atualização do site, senão em outras áreas. Se não conhece essa realidade, é por pura ignorância.
Por fim, posso lhe garantir que a Unisinos possui o melhor corpo docente do curso de comunicação. Em nenhum momento vi alunos sendo coagidos dentro da sala de aula por apresentarem opiniões diferentes, sejam elas do âmbito político, econômico ou social. Como bons jornalistas, ouvimos os dois lados da história, diferente do que posso observar em seu site. Creio que, em uma próxima oportunidade, a Unisinos levará alguém para palestrar mostrando o outro lado do MST, como o proprietário da fazenda Coqueiros ou os cientistas da Aracruz.
Encerro pedindo ao senhor que faça como todo bom jornalista que desconhece o mercado: procure se atualizar da realidade antes de disparar farpas desnecessárias por aí. Na Unisinos se faz jornalismo de qualidade, e os futuros profissionais com certeza não precisarão recorrer à polêmica e ao sensacionalismo para provar sua competência perante os demais.
Atenciosamente;
Piero Barcellos
UPDATE (15h41): Resposta do seu Políbio:
Em primeiro lugar, duvido que você tenha escrito o texto, porque os estudantes da Unisinos costumam ser meio analfabetos.
De qualquer modo, quero que saiba que o MST quer acabar com a economia de mercado, com as empresas, os empregos e os jornais, introduzindo o regime da empresa estatal única, emprego estatal único e um só jornal. Nem vou adiante. Se é isto que você quer, faça bom proveito com o MST, mas tenha-me na conta de seu inimigo político e pessoal, não apenas adversário, porque quero empresas atuando num ambiente de livre mercado, empregos que ofereçam oportunidades de avanço pessoal, profissional e salarial, e jornais que disputem entre si as melhores informações e a maior quantidade de leitores e anunciantes, garantindo minha sobrevivência pessoal, familiar e profissional.
Ao chamar o MST para explicar de que modo ampliará o mercado de trabalho para os estudantes de jornalismo, a Unisinos sofisma, mente, engana de maneira torpe, levando a crer que esta organização terrorista e delinquente batalha pela liberdade de mercado, quando propugna justamente pela ditadura econômica e política.
Polibio Braga
….
Tipo… é pra eu ficar com medo?
UPDATE (22/05 – 13h15): Buenas, agora o negócio ganhou status de movimento. Comunidades do Orkut discutindo o ocorrido aqui, aqui e aqui. Pelo que soube, o sr. Popô será processado pela Unisinos.
E dou o assunto por encerrado temporariamente.
