Blog do Piero

Archive for abril, 2008

A day in the life

Sabe aquela música dos Beatles, que intitula este post? Pois bem, eu li as notícias de hoje. E apesar das notícias serem tristes… bem, eu tive que rir. Pois só no Brasil acontecem essas coisas:

- Uma multidão se comove pela morte de uma menina de classe média-alta. Ninguém se comove com as mortes de crianças pobres que acontecem todo dia. Essa mesma multidão se aglomera em frente à delegacia, no prédio onde aconteceu o crime, na casa dos pais dos acusados. Gritam, esbravejam, pedem justiça e tudo mais. Pois bem, não só crianças, mas adultos também morrem todo dia pela falta de saúde, segurança, saneamento… questões muitas vezes negligenciadas pelos governantes. Ora, se o Governo se omite e ignora a situação da população, ele também é um assassino. Então por que o povo não reage contra o Governo da mesma forma que no caso da menina?

- Um padre pira na batatinha ao praticar “balonismo” com mais de mil bexigas amarradas num banquinho. Isso foi matéria na Globo há alguns dias. E ninguém repreendeu o doidinho, dizendo que era perigoso. Ao contrário, se sentiu encorajado para voar mais vezes. Agora ele conseguiu voar tão alto que São Pedro puxou ele pelo braço. Enfim, agora começa a contagem regressiva para o primeiro milagre do padre voador, e como consequência uma possível beatificação e canonização.

- O casamento da filha de uma ministra em Porto Alegre conseguiu mobilizar um contingente policial absurdo em poucas horas de cerimônia, enquanto que não vemos tantos vigilantes em ronda durante os “dias comuns” da capital, seja nas áreas de maior movimento ou de maior necessidade. Ainda ouvi hoje no rádio que o Pânico esteve aqui na cidade para “cobrir o evento. E que depois de ter aprontado com todo o contingente político que estava presente, foi censurado com um telefonema da ministra para os donos da emissora.

Eu vi as notícias hoje… e sinceramente, não gostei.

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Oportunismo pouco é bobagem

E todo que quiser dar um tapa na pantera, agora vai ter a desculpa de que está fazendo uma matéria investigativa…

Tá justificado. Cheirado até eu consigo conversar com o Marcola pelo celular.

P.S.: Montagem podre, feita com os recursos do momento.

UPDATE: Agora também para por no MSN:

Free Cabrini MSN

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Pimp my Opala

Eu sou teimoso. Culpa dos astros que me fizeram ariano, e dos mais teimosos. Digo isso porque, quando decidi comprar um carro, não queria qualquer um. Pra mim, quanto mais antigão, melhor. Se eu pudesse, eu teria um Caddilac 1956… mas o meu poder aquisitivo me permitiu comprar uma raridade mais acessível: um Opala 1975.

Mesmo todo mundo dizendo que carro velho consome mais gasolina, eu quis.

Mesmo todo mundo dizendo que um carro desse é difícil de vender depois, eu quis. (E quem disse que eu quero vender?)

Enfim, precisei sentir na pele a dor e a delícia de se ter um Opalão. Começando pelas delícias, é um carro ultra-confortável, de motor impecável. Possui apenas três marchas, com mudança de câmbio na direção. Fora que é um carro de presença ímpar: andando na rua, todo mundo pára pra olhar.

Agora, as dores… Na primeira vez que eu saio com o carro para trabalhar, pego um toró daqueles. Ainda por cima, entrei numa rua errada e parei onde não devia, no meio de um engarrafamento. Buenas, nessas horas a gente liga o limpador de pára-brisa. Liguei, e não demorou três minutos para eu ver um dos braços do limpador voar pelo capô do carro e sumir no trânsito. Dirigi do serviço para casa sem enxergar um palmo na frente do nariz.

A segunda foi um vazamento repentino do radiador. O carro quase pegou fogo duas vezes. A terceira foi um vazamento no tanque de gasolina consertado através de uma gambiarra cm cola e fita isolante (não importa o “como”, importa é se resolve). E ontem, antes de ir pra uma festa, foi o pneu que encrencou.

Enfim, entre idas e vindas ao mecânico, agora ele está bom (até o próximo problema surgir). Mas enfim, carro velho é isso aí, todo mundo me disse. Mas eu não me importo. E confesso: até gosto.

PS: Fim de semana chuvoso, nada melhor pra se fazer do que se enfurnar num TCC.

PS2: Hoje é o dia do beijo. Alguma candidata se habilita?

Xbox: Não é desespero, mas na atual conjuntura, com TCC e estresse, preciso de alguém que cuide de mim, porque até o fim de maio, não terei condições de cuidar de alguém.

Wii: Sim, só os mais nerds vão entender essa brincadeirinha idiota…

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Dia do Jornalista

Agora há pouco eu acessei o Terra, e me deparei com a seguinte manchete: Bebê com dois rostos passa bem na Índia. Nossa! Eu nem sabia que um bebê de dois rostos tinha nascido, quanto mais saber que ele passava bem.

Cliquei na notícia. Era uma matéria grande, falando sobre o caso, mas nada de foto. Nem um mísero link para a notícia original. Me senti iludido, porque eu queria ver a foto do tal bebê. Fui no Google, e depois de algumas palavras-chaves, encontrei o que queria.

Saciada a minha curiosidade, voltei à notícia do Terra. Pelo que entendi, a criança nasceu com os crânios colados, e que não seria possível fazer a separação, como em outros casos. E aí me bateu um sentimento de arrependimento e de impotência.

Pense bem: o que leva alguém a clicar numa notícia como esta? Ou o que faz as pessoas olharem programas de TV sensacionalistas, ou lerem os tablóides sanguinolentos? Respondo: é o senso da desgraça alheia.

Uma notícia como esta não me acrescenta nada. Mas ela se torna uma forma de dizer “pare de reclamar da vida porque tem gente numa merda maior que a tua”. E então você se sente bem porque aquilo não aconteceu contigo. Percebem a situação?

Ligue a TV. De 15 em 15 minutos a gente é bombardeado pelo plantão anunciando as últimas informações sobre o caso da menina que foi jogada pela janela. Num primeiro momento, a indignação toma conta: “Que absurdo uma coisa dessas!” Depois, vem o alívio: “Ainda bem que não é comigo”. Por fim, a indiferença: “O que tem para jantar hoje?”

Isso não acontece só nas páginas policiais e na seção de notícias “bizarras” dos portais. Também ficamos indiferentes diante da corrupção, do crime organizado, da droga. Afinal – ainda bem – isso não acontece com a gente. E quando acontece, é tarde demais. Aí não adianta fazer passeata, montar ONG, vestir camiseta branca, fazer um minuto de silêncio, quando se devia ter feito um minuto de ação…

Hoje, no dia do Jornalista, um apelo: não fique indiferente. Não ignore o que acontece a sua volta. E aproveite a oportunidade que você tem de mudar a realidade.

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