Blog do Piero

Archive for novembro, 2007

I got the sunshine…

De um papo com um amigo, desses que a gente fala de tudo um pouco:

“Sabe, meu velho, tem coisas que a gente não consegue explicar. Principalmente quando a gente começa a gostar de alguém. Digo isso porque estou tri afim de uam guria. E queria muito dizer isso pra ela, poder chegar perto e simplismente falar, sem parecer careta ou idiota demais. Mas não dá. Porque quando eu chego perto, e ela começa a falar, fico prestando atenção no jeito como ela fala, como ela pronuncia as palavras, na entonação da voz, nos movimentos da boca. E quando ela fala sorrindo então, é lindo! Ela coloca o queixo levemente pra frente, e o lábio inferior meio que dobra um pouquinho… E eu poderia ficar ouvindo ela por horas a fio, prestando atenção nesses detalhes. E eu não consigo falar nada porque não quero estragar aquele momento. Deixo pra depois, esperando que a hora certa chegue. Mas, ao mesmo tempo, quando vejo ela conversando com um amigo, bate uma pontinha de ciumes. E isso me deixa angustiado. Porque, se eu não fizer nada, outra pessoa pode aparecer na vida dela. E se eu me antecipar, posso falar uma bobagem e estragar tudo”.

E então, ele me olhou e riu. E eu entendi. Eu era um bobo apaixonado, falando dos meus sentimentos. E ele, um ouvinte paciente que compartilhava de histórias semelhantes.

Tantas decisões em tão pouco tempo…

Voltaremos à programação normal daqui a alguns dias.

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posted by Piero Barcellos in Cotidiano and have Comments (3)

Lições da vida

Gasômetro, por favor. Foi a única coisa que consegui resmungar para o motorista de táxi naquele dia. Terrível dia, pra ser sincero. Acordei com o pé esquerdo, e desde a hora que eu abri os olhos, só me incomodei. Em casa, no serviço, em tudo. Uma grande conspiração contra mim estava acontecendo, e eu nem fui avisado para tentar uma proteção, uma disputa justa contra o mundo ao menos.

Depois de controlar a respiração (quando estou nervoso ou irritado, fico com dificuldade de respirar), fiquei com pena do taxista. Sempre puxo assunto com o motora quando tenho que pegar um taxi. Que culpa ele tem se eu tive um dia ruim? E pela minha cara, e pelo jeito com que eu disse o itinerário, ele deve ter pensado que eu sou uma daquelas pessoas extremamente estúpidas. Tentei me redimir.

- Bah, cara. Tu me desculpe se eu tou quieto. Geralmente eu converso quando tenho que pegar táxi, mas é que hoje eu tive um dia terrível, daqueles que destrói o cara.
- Nem esquenta, mestre – disse o motorista – eu também não tou legal. Hoje também tá sendo um dia terrível pra mim.
- Mas qual é a tua bronca? O dono das placas tá incomodando por causa da féria do dia? – chutei.
- Não, não. É que hoje fazem dois meses que eu enterrei minha filha.

Engasguei e não conseguia falar mais nada. A vontade que eu tinha era a de pedir pro taxista parar o carro no meio da rua, pra gente descer e chorar juntos, sentados na sarjeta. Ele, pela filha, e eu, pela vergonha de achar que os meus problemas são, de fato, “problemas”. Eu ainda posso contornar as situações ruins, mas, e o taxista?

Nunca mais eu reclamo da vida. Ela é maravilhosa. A gente é que complica.

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O dia que encontrei Bob Dylan e Paul Stanley*

Bob Dylan e Paul Stanley

Encontrei o mito e o homem da estrela em uma situação bem incomum. estavam na rua, sentados cada um em um banquinho, tocando violão juntos. Era um folk, bem coisa do Dylan mesmo. Assim como qualquer um, eu fiquei alí parado, no meio da calçada, tentando entender o que estava acontecendo. Fora que só eu tinha notado os dois! O diálogo que se sucedeu foi mais ou menos assim:

Eu: Não tou acreditando nisso!

Dylan: Pois é, nem eu. Mas até que o Paul toca bem sem aquela maquiagem toda.

Eu: Não é isso… falo de vocês dois aqui, falando comigo.

Stanley: Bla, bla, bla… Liam Gallagher viu John Lennon; Dave Grohl conversa com o Kurt, porque você não pode falar com a gente?

Dylan: E com a vantagem de que a gente ainda está vivo.

EU: Mas nem sou tão fã de vocês assim…

(silêncio)

Stanley: Você conhece Rock’n'Roll All Nite? Pra mim já é o suficiente.

Dylan: The answer, my friend, is blowing in the wind…

Eu: Queria saber que droga me deram pra ter essas visões…

Stanley: Droga nenhuna! Hahahaha! Tu é tão certinho, não bebe uma gota de álcool! Em compensação, o nosso organismo já se acostumou. Nada mais faz efeito, heheheh!

Eu: Entendi… vocês estão aqui pra tirar uma com minha cara, é isso?

Stanley: Não. Estamos aqui pra te dizer umas verdades. Você precisa largar o Jornalismo.

Eu: Peraí? Como assim? Trabalho há mais de três anos com isso, e tou quase me formando, e tu quer que eu largue tudo assim, sem mais?

Dylan: O seu negócio não é esse, meu caro. Isso, na verdade, você já sabe. Pessoas ruins na sua volta, falta de ética, excesso de estupidez… E a verdade, a força-matriz da sua profissão, é deixada de lado em detrimento do dinheiro. É isso que você quer pra sua vida? Ser um cara infeliz pelo caminho que escolheu, achando que ele não tem mais volta?

Stanley: Você tem medo de largar as coisas? Nós não tivemos. Abrimos mão de futuros considerados promissores pra segurmos os nossos corações. Nascemos para a música, para o rock. E você também, guri.

Eu: Hahahaha! Cara, eu gosto muito de rock. Mas tocar são outros quinhentos. Já tentei violino, violão, gaita de boca, teclado… nada.

Dylan: A música não está na técnica, está na alma.

Stanley: É uma força que se concentra na boca do seu estômago e começa a queimar, a queimar, quando de repente… BLAM! Explode!

Dylan: Pense nas turnês, conhecendo o mundo todo. Nas tuas músicas tocando nas rádios, nos shows lotados, na canção que marca uma geração!

Stanley: E nas mulheres também! Cara, rockstar pega cada gostosa… Ah, me esqueci que tu é meio almofadinha, homem de uma mulher só, essas coisas. Mas te garanto que depois que você ver as garotinhas berrando teu nome na primeira fila, tu esquece isso, hehehe!

Eu: Mas… o que eu faço? Não tenho experiência musical nenhuma! Por onde eu começo?

Dylan: Vou te dar as dicas, então. Espero que você siga os passos que eu e o Paul demos, e que deram certo, e corrija aquilo que nós fizemos de errado.

Eu: Beleza! Manda!

Dylan: O esquema é o seguinte… Sete e meia!

Eu: Como?

Acordei em casa, com meu pai berrando na porta do quarto o horário – 7h30 da manhã – lembrando que o trabalho me chamava. Preciso descrever a cara que eu fiz? Acho que não.

Ser jornalista ou rockstar tem as suas vantagens e desvantagens. Se vou seguir de fato uma delas, não sei. Mas entendi o recado: se as coisas não estão bem como estão, mude. Mas mude radicalmente. Afinal, é de batalhas que se vive a vida.

How does it feel
How does it feel
To be on your own
With no direction home
Like a complete unknown
Like a rolling stone?

 

*Post escrito sem a ajuda de dietilamidas do ácido lisérgico.

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posted by Piero Barcellos in Cotidiano,Ficção and have Comments (2)