Blog do Piero

Archive for outubro, 2007

The Brothers

Não gosto de Los Hermanos. Acho eles arrogantes, e seus fãs, um bando de pseudo-intelectualóides chatos pra caramba (um texto muito bom sobre isso foi publicado aqui).

Mas um dia, a banda foi boa. Foi quando criaram Anna Julia.
E era tão boa que Sir. George Harrison regravou ela antes de morrer.

The video cannot be shown at the moment. Please try again later.


O tiozão é Jim Capaldi, mas os acordes de guitarra são de Harrisson.

Depois de ouvir a nova versão, os Los Hermanos acharam um sacrilégio tocar novamente a música, abandonaram o rock, se tornaram uma banda emo, e por fim, se separaram. Marcelo Camelo foi visto pela última vez no Acústico MTV Sandy & Junior.

….

Post dedicado à Bibiana, guria que bem poderia ser a Anna Julia, tanto do clip acima quanto do original. E que continua sendo uma boa pessoa, mesmo gostando de Los Hermanos. 

LinkedInDeliciousGoogle ReaderEmailShare
posted by Piero Barcellos in Vídeos,Vitrolão and have Comments (3)

Neruda, um gênio

Antes de viajar, o Du publicou um poema do Pablo Neruda no blog. E sabe quando uma coisa cai tão bem na tua vida? Daí fui procurar outros poemas dele e achei este:

É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Agora já sei o que vou comprar na Feira do Livro neste ano.

Copiado de www.pensador.info .

LinkedInDeliciousGoogle ReaderEmailShare
posted by Piero Barcellos in Ctrl+C e Ctrl+V and have Comments (5)

The Traveling Wilburys

Há algum tempo, havia postado aqui sobre aquela que seria a banda mais perfeita do mundo. O problema é que era apenas um comercial de TV manipulado digitalmente, para tristeza de muita gente.

Porém, um grupo chegou muito perto disso. Que me dizem de uma banda cujos integrantes são, nada mais, nada menos, que Roy Orbison, Tom Petty, George Harrison, Jeff Lynne e Bob Dylan?

Senhoras e senhores, lhes apresento The Traveling Wilburys:

The video cannot be shown at the moment. Please try again later.


- Filho, o que você quer ser quando crescer?
- Quero ser Roy Orbison, mãe!

Mais sobre a banda na Wikipedia, no site oficial e no YouTube.

LinkedInDeliciousGoogle ReaderEmailShare
posted by Piero Barcellos in Vídeos,Vitrolão and have Comment (1)

"Ecademia"

“O horror, o horror…”
Marlon Brando (1924-2004) no filme Apocalypse Now (1979)

A frase do eterno Don Vito Corleone exemplifica bem o que passei ontem. Traumático, traumático… tive pesadelos à noite, e se fecho os olhos por alguns instantes, ainda sou capaz de ouvir aqueles barulhos medonhos invadindo minha mente…

Buenas, vamos ao capítulo da novela de hoje:

Não sou muito de sair. Não sou o “cara da noite”. Mas volta e meia eu abro algumas exceções. E quando eu saio, alguém sempre resolve levar uma câmera. E eu já não sou lá uma coisa que se possa dizer “que cara mais fotogênico”. Mas este não é o problema. O problema é quando alguém bate uma foto e o teu perfil quase encobre a pessoa que está do teu lado.

Sim, pessoas. Estou gordo. Não que isso fosse um problema, mas agora passou do ponto normal. De nada adiantaram os alertas médicos, ou o bombardeio do padrão estético da mídia. Uma foto foi o suficiente. Então, tive que encarar a triste realidade de um dia me tornar uma das coisas que mais abomino: um ex-gordo.

[Pausa pra explicação] Odeio ex-gordos. Eles são frutos da geração Malhação (a novela eterna), pesavam generosas toneladas, e agora que transformaram banha e massa cinzenta em músculos, acham que podem tudo. As mulheres ex-gordas usam roupas atochadas no rêgo, usam tops apertados pra dar aquela impressão de que tem peitão, e geralmente são conhecidas por serem ratas de academia, ou por darem pra todo mundo, a fim de compensar seu período de gordureza. Os caras usam aquelas camisas “bofe, olha como eu tou forte”, costumam se alisar na frente do espelho, quase comendo o próprio reflexo. Ah, e dão em cima de tudo que é guria, esperando, também, compensar seu período de gordureza.[Despausa]

Como não sou rico o suficiente para ser carneado numa mesa de cirurgia pelo Pitanguy, procurei o método mais acessível, que é a academia. Tem várias aqui perto de casa, o que me leva a crer que eu devia ter feito vestibular pra Educação Física ao invés de Jornalismo. Ou a mensalidade é mais barata, ou o vestibular é mais fácil, cadeiras mais barbadas de se passar… alguma coisa deve ter. (Alguém lá no fundo do salão levanta o braço e diz: “o curso tem um monte de gostosas!” É… pode ser. Mas daí eu digo que no Jornalismo também tem. E muito mais. E com um diferencial – elas pensam.)

Entrei. O lugar não tem paredes. Tem espelhos. Muitos espelhos. Até no teto. Pra que, eu não sei, e nem quero imaginar. Uma guria, muito simpática (entenderam o “simpática”? Hein, hein?), me atendeu. Disse a ela que achei a academia pela internet, e que queria conhecer. E ela me levou para o “tour”.

Confesso que fiquei incomodado com os espelhos. Dava aquela impressão de fundo infinito, saca? Fiquei até meio tonto, mas depois descobri o porquê. Não eram os espelhos, era a música. O tunti-tunti do capeta empesteava o ambiente, enquanto verdadeiros rinocerontes puxavam peso. Lembrei dos amigos que falam que ir na academia é bom pra ver mulher. Naquele ambiente onde eu estava, tinha uns dez caras, mais ou menos na minha faixa de idade, e três tias. Tias mesmo. Além da simpática. Ela ainda se esforça comigo, querendo me mostrar os “aparelhos” da academia. Olha, eu suponho que isso não varia de um estabelecimento pra outro. Deve ser tudo igual. Algumas lembram até aquelas máquinas de tortura medieval, ou as utilizadas pelo DOPS na ditadura. Medo.

A moça simpática não desistiu de mim. Disse que, pagando pelo pacote de musculação, também tenho direito a fazer uma atividade aeróbica, como “jump” (é assim que se escreve?) ou “aerocombat” (não dá pra ser Flight Simulator?). Daí pra me mostrar o que era, ela abriu uma porta (espelhada, claro). Alí sim, eu vi o horror: uma sala escura, com um globo daqueles de boate emitindo várias bolinhas coloridas pela sala, um monte de tias pulando em pequenas camas elásticas Na frente delas um cara, drasticamente bombado, coordenava os exercícios. Com pulinhos e gritinhos orgasmáticos. “Vamos lá genthiii! Vamos queimar toda essa gordura! Ihurruuuuu!!!”. Tudo isso ao som de música eletrônica. Juro pra vocês que, mesmo não sendo usuário, deu pra ter uma noção do que é uma verdadeira viagem de ácido.

Então é esse o meu purgatório? É por isso que eu tenho que passar para me sentir de bem comigo mesmo? Ressentido e cabisbaixo, perguntei o preço da musculação. A matrícula e mais três meses sairiam por R$ 304. Trezentos pilas pra se matar dentro de uma festa rave, cheia de tiazonas (mulher gostosa eu não vi) e brutamontes narcisísticos? Não, muito obrigado!

Parti para o plano 2. Cortei o refrigerante, os doces, bolachas recheadas, etc… Se tenho fome, como fruta ou bolacha água e sal. Se tenho sede, tomo água e suco. Pra não ficar tão sedentário, caminhadas, abdominais e apoios ainda são de graça e podem ser feitas no recanto e aconchego do nosso lar. E tudo isso sem abdicar de comer um xis ou uma pizza com os amigos nos findis.

Gordo moderado e sadio sim. Ex-gordo JAMAIS!!!

P.S.1: Canguinha, eu? Estou pensando no meu futuro carro, oras!

P.S.2: Abraços ao Fábio Salvador, que está com um novo projeto – o Melhor de Todos – e que me surpreendeu com um link para este blog na página inicial. Sucesso meu velho!

LinkedInDeliciousGoogle ReaderEmailShare
posted by Piero Barcellos in Cotidiano and have Comments (5)

Drive my car

Ok, ok… É fácil, não tem mistério. Eu vou conseguir, eu vou conseguir… Mas se eu vou conseguir, porque a mão treme tanto? Eu tenho que me posicionar melhor. Ah, o retrovisor! Tenho que ajustar o retrovisor! O cinto já tá colocado, tudo certo… É só soltar o freio, engatar a primeira, e controlar na embreagem… Beleza! Passando nessa porra de baliza, eu passo no resto! Ah, o pisca! Não posso esquecer do pisca!

O avaliador sinalizou com o polegar que eu já podia começar a prova. Tinha cinco minutos para fazer a baliza – que compreende estacionar o carro numa vaga imaginária, e depois colocar ele dentro de uma garagem imaginária, ambas representadas por hastes de ferro. Estacionei o carro na primeira baliza, crente de que fiz tudo certo. O avaliador bate no vidro do carro e pede pra eu descer. A distância da roda para o cordão da calçada estava enorme. Era falta eliminatória.

A primeira prova havia sido eliminado por um caminhão. Subindo uma lomba estreita, achei que podia dividir o espaço com o referido veículo, que descia no sentido contrário. Ledo engano. O instrutor meteu o pé no freio. Fim de prova. E da segunda vez, nem cheguei a fazer o percurso.

Todo mundo se emociona quando faz 18 anos por causa da carteira de motorista. Não estão preocupados com a maioridade, com as consequencias legais que a idade impõe. E, diferente de todo mundo (que é uma verdade que não se altera nos meus relatos), foquei meus esforços e minhas economias na universidade.

Agora, depois amadurecido, tenho que reconhecer a importância de saber dirigir, e, mais do que isso, ter um automóvel.

Ultimamente tenho saído bastante. E aos poucos estou gostando dessa história de sair pra dançar, mesmo que eu ainda sinta algo estranho no ar (isso rende um post). E toda vez que eu saio, fico dependente das caronas de amigos (o Du que o diga), ou dos transportes públicos, como ônibus, táxi e lotação. Nada contra, adoro andar de ônibus e ouvir as histórias dos taxistas. Mas… quando o cara quer sair com uma guria em especial, ele quer tratá-la bem, não? E convidá-la pra sair, mesmo de táxi, é algo constrangedor. Até porque não se pode imaginar o nível de intimidade que um programa a dois pode ocasionar, se é que vocês me entendem…

(Se ninguém entendeu o parágro acima, essa frase resume: ter um carro ajuda no relacionamento com as mulheres. Ou influencia em 50% na investida.)

Então, desde janeiro estou nessa odisséia de tirar a carteira de motorista. E digo: não é fácil. A gente gasta uns bons pilas pra conseguir um pedacinho de papel que te autoriza a dirigir. Tem a pressão psicológica da família, dos amigos, do avaliador na hora da prova, preocpuação com o trabalho e com a faculdade, dentre outros. E principalmente quando tu roda pela segunda vez, a tua moral vai lá pra baixo. Minha vontade era de desistir. Podia fazer outras coisas com o dinheiro: viajar, comprar uma filmadora, fazer uma porrada de cursos. Prometi a mim mesmo que a terceira tentativa ia ser a última, passando ou não.

E eu passei.

E agora eu estou tendo que reaprender a dirigir – há uma diferença entre dirigir um Corsa e um Opala; e entre ter no banco do carona um instrutor e um pai que trata o carro como um segundo filho.

Aos amigos, prometo compensar as diversas caronas concedidas. E espero que seja com o meu próprio carro.


Ford Galaxie/Landau 1981. Meu sonho de consumo. 

E é claro, uma velha música não sai da minha cabeça…

LinkedInDeliciousGoogle ReaderEmailShare
posted by Piero Barcellos in Cotidiano and have Comments (5)