Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, eu podia estar fazendo o trabalho de aula pra amanhã, eu podia estar usando menos gerúndio nessas frases, mas não! Estou aqui, respondendo ao meme que o Rodrigo criou (e ao que tudo indica, só eu irei responder).
E então, eis que ele me pergunta: por que escolheste o jornalismo?
Para explicar, vou pedir a todos que entrem no DeLorean, porque vamos voltar até a última década do século XX, em um dia ermo qualquer.
Existe uma grande diferença entre ser um nerd assumido, e ser um nerd que ainda tenta se enquadrar nos padrões da sociedade. Buenas, eu estava no segundo grupo. Eu era o cara que sempre ficava por último na divisão dos times do futebol na Educação Física. Nunca era convidado para as festas dos colegas de turma. Em compensação, eu era um das figuras com as notas mais altas do colégio (tirando educação física e inglês, que até hoje eu apanho…). Claro, seria muita pretensão minha dizer que eu era o único excluído da sala de aula. Digamos que, num universo de 40 alunos, 5 estavam na lista negra anti-social. E eu era um deles. E também seria muita pretensão dizer que não tinha amigos no colégio. Tive, e falo com eles até hoje.
Pois bem, coloque este cenário estudantil num colégio particular, onde 80% dos estudantes são pessoas mimadas e preocupadas com seu status social e com seu Nike importado. E enquanto isso, meus pais ralavam no serviço pra me dar um ensino de qualidade, e eu me contentava em ir pra aula com um Rebook paraguaio. Eu valorizei o esforço dos meus pais, com cada nota alta que tirava. Em compensação, era foda ir pra um lugar onde quase ninguém te dirigia a palavra, a não ser pra pedir cola.
Algo tinha que mudar. Seria eu o errado? Vejo aquele bando de playboyzinhos sempre se dando bem, enquanto eu só me quebrava. Tentava me enturmar, sair, gostar das mesmas coisas que eles, tentar ser “legal”… e aí eu estava errado. Eu não sou igual a eles. Sou diferente. E é isso que faz qualquer um especial. Então, ao invés de me preocupar com a minha ruindade no jogo de futebol, passei a assumi-la. E também, meu gosto por quadrinhos, desenhos animados, games e informática. E foda-se quem não vai com a minha cara. Eu tinha a minha turma, com quem estudava, saía e se divertia. Não queria ser igual aos top-tops da turma. Queria ser eu mesmo.
Provavelmente, pela minha desenvoltura e malemolência com artefatos tecnológicos, o futuro me reservaria um bom cargo e um bom salário na Microsoft, Google ou Apple. Para a família, eu seria a salvação monetária. Porém, foi quando estava indo pra uma aula de música que a coisa mudou. Eu ví na rua um grupo de mendigos fuçando com voracidade um amontoado de lixo em busca de comida. Fiquei olhando aquela cena e pensando que o que difere eles de mim foram as oportunidades que tivemos na vida. As mesmas oportunidades que os playboyzinhos da minha sala tiveram e nunca aproveitaram.
E o que eu iria fazer com a minha oportunidade? Passar a vida trabalhando com computadores, e ignorando as pessoas a minha volta? Só quem sofreu com isso sabe como é ruim.
Então, contrariando a minha timidez, as expectativas da família e dos amigos, e se metendo em algo que eu nem imaginava como era, fiz vestibular para jornalismo. E passei. A minha família sempre ficou do meu lado (mesmo sabendo que eu ia ser um pé-rapado pro resto da vida), conheci grandes pessoas que se tornaram e são até hoje grandes amigos. Os idiotas, playboys e afins eu encaro no olho e mando à merda. Adquiri status na universidade (segundo a Biba, sou tri popular!). E o melhor de tudo: tudo isso sendo eu mesmo, mantendo os meus ideais, e tentando fazer deste mundo um lugar melhor.
Agora limpem as lágrimas. Vamos voltar para 2007. Todo mundo pro DeLorean de novo!
Para falar sobre suas escolhas profissionais, convoco o Seu Jens (que reclamou das minhas não-atualizações), Biba Barbará (minha mais nova amiga de infância), Mari Riccordi (que só não é jornalista por um detalhe), Eduardo Leonardi (o grande irmão), Débora Cruz (um dia vou escrever bem em textos curtos, como ela) e a Gisele (que tá fazendo um sucesso com o blog NaTV).
E quem não tem blog, ou tem, mas não foi citado aqui por um lapso deste blogueiro, pode deixar nos comentários o porquê de sua profissão.
