Eu trabalho em um escritório com onze mulheres. Lógico que a espécime do gênero masculino enxerga apenas o lado positivo da situação. Onze mulheres lindas, inteligentes e desapegadas com o capital financeiro – já que todas estão cursando ou são formadas em jornalismo. Praticamente um harém, diria a maioria do macharedo. Mas não é. Ninguém sabe o que é enfrentar uma TPM coletiva melhor do que eu. E só esse fato já é suficiente para esquecer a imagem angelical que descrevi acima. Fora que, ser o único homem a eqülibrar os hormônos do ambiente é o atestado de ser um alvo humano para todos os sentimentos malignos, irônicos e destruidores da alma feminina.
Alguns momentos de reflexão dentro do ônibus, indo para o escritório, foram o suficiente para perceber que a minha integridade física corria riscos mortais neste dia 8 de março, caso eu não levasse um agrado para aquelas que, carinhosamente, chamo de “minhas meninas” (Jece Valadão mode on).
Desci uma parada depois, lembrando que alí por perto havia uma floricultura. Não, eu não tinha certeza da existência de uma, e já havia desistido, pensando em alguma desculpa… Eis que surge, do nada, a pequena casa de flores. Deve ser o que os especialistas chamam de “poder feminino”.
Perguntei ao vendedor se ele tinha rosas para o dia das mulheres. “Tenho sim”, ele respondeu. “Então me vê onze, por favor?” Ele fez uma cara de espanto, que logo desapareceu quando justifiquei a compra. Acho que o cara não percebeu que eu não tenho “sex apeeal” o suficiente para manter onze relacionamentos diferentes. Se isso acontecesse, seria um fenômeno! Enfim, vi o lanche de dois dias de almoço se transformarem em quase uma dúzia de rosas vermelhas, devidamente unidas.
Com o buquê na mão, caminhei até o escritório. Eu não sabia onde eu ia enfiar a minha cara, de tanta vergonha. Parecia um rescunho de Professor Girafales, indo ao encontro das donas Florindas (tão temperamentais quanto…). O pior de tudo é cruzar com senhoras de idade durante o caminho. A expressão facial delas se enche de ternura e um largo sorriso quase banguela é dado ao ver um moço daqueles levando rosas para o dia da mulher. Podia ler os seus pensamentos, e era um grande “oooohhhh, que lindinho!”. Minha cara já estava da cor das rosas. Saí correndo no meio dos carros, para acabar de uma vez com essa tortura.
Porém, o tal “poder feminino” voltou a funcionar. Ver 22 olhinhos brilhando porque receberam uma flor de presente pode ser considerado algo recompensador. A pequena sala se encheu de alegria e ternura feminina. E claro, o “oooohhhh, que lindinho!” pululava naquelas cabecinhas. E, mesmo envergonhado, tentava na medida do possível responder aos agradecimentos que surgiam com aquelas vozes fininhas e miadas, que só as mulheres conseguem fazer na frente de algo bonitinho e fofinho, como um bebê. Já colocou um bebê gordinho na frente de uma mulher? Nenhuma resiste.
O dia 8 de março é considerado o dia internacional da mulher porque marca o protesto das trabalhadoras nas fábricas de vestuários e indústrias têxteis em New York, tornando-se um símbolo da luta pela igualdade de direitos entre os sexos. Mas o que aconteceu neste dia, em 2007, me provou exatamente o contrário. Porque só as mulheres são capazes de se comover com um pequeno gesto, como receber uma rosa. Não só isso: é delas que brotam o sopro de vida que coloca todos nós no mundo. E só elas conseguem apaziguar um coração revolto com apenas um toque. Acho que esse é o tal “poder feminino” que os homens nunca terão, e talvez nunca compreendam.
Enfim… as rosas me garantiram também uma sobrevida até a próxima TPM.
E que Deus abençôe as mulheres, pois, como diz aquela música sertaneja, “mas só não pódi acabá com as muié, nóis não vive sem muié, nóis é doido por muié!”