Blog do Piero

Archive for fevereiro, 2007

Falta de opinião

Eu sou uma pessoa de personalidade forte. Assim, minhas opiniões também correspondem ao meu temperamento.  E é claro, nem todo mundo concorda. Por exemplo, Chico Buarque. Trabalho num lugar onde ele é quase unanimidade. Eu sou o maior responsável por este “quase”. Porém, sou rechaçado toda vez que teço algum comentário sobre o velhinho. Isso também em outros assuntos menos fúteis, idem nos importantes. As pessoas não estão preparadas para receberem uma crítica e rebatê-la com argumentos plausíveis. Ao criticar o Chiquinho, ouço muitas vezes como resposta “Elvis é uma bosta”, ou “Elvis, que tu tanto gosta, está morto”. Então retruco, pedindo que compare todos os feitos do King of Rock’n'Roll e sua influência no mundo, com os do Chico Buarque. Qualquer argumento cai por terra.

Aqui no sul, o maior exemplo disso é o jornalista Juremir Machado. O cara tem opiniões fortes, foi demitido da Zero Hora porque não admitia dividir o mesmo espaço com o Luis Fernando Veríssimo. Hoje escreve pro Correio do Povo, alguns o taxam erronhamente de perdedor ou infeliz porque demonstrou opinião própria diante do maior jornal do Rio Grande do Sul, mesmo custando-lhe o emprego. E opinião própria, nos dias em que as pessoas são pasteurizadas, vale muito.

Tudo isso pra dizer que nessa terça, dia 13, o colunista da Folha de São Paulo, Álvaro Pereira Júnior, falou tudo e mais um pouco sobre as tendências da moda que ninguém vai contra. Eu incluiria mais umas dez coisas na lista que ele fez. Aí está:

No Brasil, falta gente que fale mal

Está fazendo dez anos da morte de Paulo Francis, e vejo na Globo News um programa de homenagem a esse jornalista, o mais influente para a minha geração.

Em um determinado momento, Francis -que havia sido crítico de teatro na juventude e tinha como grande marca falar (ou melhor, escrever) o que pensava- reclama de não haver crítica cultural de verdade no Brasil, de não haver uma tradição de contundência entre os analistas de cultura (se é que eles existem aqui).

Com base nessa declaração de Francis, e numa conversa recente com o amigo André Forastieri, elaborei uma lista de fenômenos culturais que merecem ser atacados (o que não tem nada a ver com eu gostar ou não deles, e sim com o fato de que é preciso bater nas unanimidades). Quem, a essas alturas, teria coragem de malhar sem dó…
…a série de TV “Lost”?
…a série de TV “Greys Anatomy”?
…o novo show de Chico Buarque, “Carioca”?
…o último disco de Caetano Veloso, “Cê”?
…o Cansei de Ser Sexy?
…o Bonde do Rolê?
…a obra de Rubem Fonseca?
…a arquitetura de Oscar Niemeyer (no dia em que ele morrer)?
…o próximo disco dos Arctic Monkeys?
…o filme novo de David Lynch, “Inland Empire”?
…qualquer manifestação pública de João Gilberto?
…qualquer manifestação pública de Tom Zé?
…um cenário de Bia Lessa?
…uma reportagem de Robert Fisk no “Independent”?
…o disco novo de Thom Yorke?
…a gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura?
…Dona Ivone Lara?
…um show de Los Hermanos?
…a série de TV “Heroes”?
…a revista “Piauí”?

Quem?

 

Chupinhado do Perfect Little Things.

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I am what I am, and that's all what I am

Eu deveria criar no blog uma sessão chamada “nostalgia”. Porque eu achei uma preciosidade! Me lembro de quando era pequeno, ter visto uma vez o filme do Popeye na Sessão da Tarde. Mas fazia tanto tempo que acreditei na possibilidade de ser tudo fruto da minha imaginação. Só que o filme de fato existe! E é protagonizado por um dos melhores atores do mundo: Robin Willians. Sim, o Patch Adams, o Homem Bicentenário, o menino que envelhece rápido em Jack, já encarnou também o marinheiro invocado comedor de espinafre. Duvida? Então olha abaixo os dois vídeos:

Momento musical – I am what I am:

The video cannot be shown at the moment. Please try again later.

Briga de bar:

The video cannot be shown at the moment. Please try again later.

Agora que estou de férias, por que a Sessão da Tarde não reprisa esses filmes bons? Pelo menos um viva aos programas P2P, que me possibilitam baixar este e outros filmes perdidos.

Mais sobre Popeye aqui.

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Fuzimo pra Bento! – Parte 2 – Festa e atitude

Onde estávamos? Ah, sim, mais precisamente aqui:


Trecho do espetáculo cênico na Fenavinho

Enfim, depois de passar um dia nos parreirais colhendo uva (até mesmo debaixo de chuva) e de degustar algumas iguarias na Fenavinho, faltava a balada, claro. E eu fui, mesmo com minhas neuras de lugares fechados e barulhentos. Quer o quê? Estou em Bento!

*PAUSA*

No post anerior, falei que Alfeo pedia insistentemente para que eu me comportasse. Tudo isso por causa de uma amiga dele. Havia falado pouco com ela nas idas a Bento. Mesmo assim, alguma coisa acontece toda vez que eu olho ou penso nela. Se estou “a fim”? Não, não estou. Porque estar “a fim” de alguém soa como algo físico, passageiro, que começa no primeiro gole de cerveja e termina no amanhecer. Eu gosto dela. E não é um simples gostar. É um gostar de querer bem, de proteger, de querer estar perto. Tá, eu sei que é meloso demais, e que eu não deveria estar assim por uma pessoa, digamos, “distante”. Mas é o que eu sinto e ponto. Pode parecer idiota, mas as coisas do coração não costumam ser idiotas?

Há um agravante: ela é linda.

*DESPAUSA*

As gurias que não foram conosco na Fenavinho, ficaram de nos encontrar na festa. Se não me engano, era Bouleyard o nome. Bem legal o ambiente. Tirando, é claro, as mesas no meio da pista de dança que ninguém usava, já que era pista de dança e não pista de sentar e beber. Também foi o lugar mais eclético, musicalmente falando, que já frequentei – onde mais tocaria Tim Maia, Papas da Língua, funk carioca e música sertaneja (“Eu vou fazer um leilão/Quem dá mais pelo meu coração!”)?

O problema de superlotação de lugares fechados também acontece em Bento. Depois de alguns empurrões e cotovelaços, chegamos até elas, que nos receberam com um “oi” meio distante. Por que será? Verifiquei se o desodorante estava vencido. Não. Perguntei pro Du se ele tinha deixado o salame de estimação em casa (entrar em uma festa com o salame na mão é meio perigoso e assustador). Não era o salame. De repente éramos nós mesmos, que para elas devíamos estar com a cabeça pululando de más intenções. Ou elas, que já fizeram um “aquecimento” antes de ir para a festa. Não sei. Aliás, nunca vou saber o que se passa na cabeça de uma guria numa festa.

Essa distância permaneceu na festa. E me deu uma agonia. Eu queria me aproximar, mas como? Do jeito que estava, qualquer tentativa seria mortal. Deixe estar. Estou alí pra me divertir, não pra me irritar por coisinhas pequenas que nem sequer aconteceram. E mesmo assim eu me irrito, hehehe.

Pois bem, ouvindo pouco, tentava conversar com uma, com outra… Algumas coisas que eu não entendia eu respondia com um “sim”, ou ria junto, se a pessoa risse também, coisas de surdo tentando se socializar no meio da barulheira. A situação era a seguinte: eu, dançando, sem ouvir ninguém. O Du, papeando com uma das amigas do Alfeo. Este, por sua vez dançava sozinho e tentava atirar alguns olhares na multidão. A outra amiga dele (a linda lá de cima), estava sendo assediada por um cara de boné. Peraí? Quem é esse malaco?

Sim, amigos. Por desnorteamento provocado pelo lugar, e pela falta de atitude, o cara de boné acabou ficando com ela. E eu tive que encarar o fato numa boa, mesmo sabendo que o cara era um idiota e que ela não merecia, nem precisava disso.

Depois de alguns estresses ocorridos na festa, eis que resolvemos fazer como o Leão da Montanha e “sair pela esquerda”. Ainda bem, porque foi bem na hora que começaram a tocar funk, e eu não estava preparado psicológicamente para isso.

De volta à casa do Alfeo, ninguém estava com sono. Então fomos discutir o que aconteceu na noite, já que eu não sabia de nada, por que não tinha ouvido nada. E toda a conversa foi em torno de uma palavra: atitude. Que alías, foi o tema da conversa que o Du teve com uma das meninas na festa. O fato de chegar em uma guria na hora certa, de saber o que fazer, enfim, de ter atitude. Mas atitude é também não saber se aproveitar da fragilidade das pessoas em proveito próprio. Ou de seu estado de embriaguês. Aliás, como eu costumo dizer, mulher quando bebe fica muito chata. Se foi o caso dessa vez, não sei. Não deu tempo de perceber isso.

Enquanto discutíamos, rindo da situação e já contando outras histórias, chegamos a uma conclusão conjunta: mulher nenhuma quer saber se a gente é legal, inteligente, trabalhador, etc. Se quisesse saber isso, era só dar um currículo e ponto. Elas gostam é de canalha mesmo, que chega, agarra e era isso. Se é assim, então eu tou fudido de vez. Mas aí me lembrei que sim, as coisas podem ser diferentes, podem ser da maneira que a gente quer. Basta a gente correr atrás e fazer as escolhas certas. Um pouco de otimismo às cinco da manhã, depois de uma festa onde não pegamos ninguém, não faz mal.

Depois de mais algumas divagações (que renderão muitos e muitos textos), cada um foi pro seu canto descansar. Daqui a pouco retornaríamos para a poluída e triste Porto Alegre. Sem antes comer o churrasco do Alfeo pai, um grande contador de histórias. Se não fosse a pressão do horário, poderíamos ficar horas alí, ouvindo suas histórias. Quem sabe uma delas nos mostrasse o caminho da tal atitude?

Vale ressaltar:
- Somos os únicos que descem a serra ouvindo o Acústico Roberto Carlos.
- Sou o único idiota que oferece água numa festa onde tá todo mundo naquele “estadinho”.
- O Du escreve melhor do que eu. Cofira no Parcialidade Total a história do ponto de vista dele.
- Yes, nós temos atitude. À nossa maneira, é claro. E quem não gostar, que se foda.
- Eu vou acabar morando em Bento, comprar um sítio e plantar uva.
- Não decepcionei o Alfeo. Me comportei, mas não adiantou nada, hehehehe!

E vamo que vamo!

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Fuzimo pra Bento! – Parte 1 – A Fenavinho

Bento Gonçalves é uma cidade localizada na serra gaúcha, a 109 km de Porto Alegre. Em 1875, a região recebeu os primeiros imigrantes italianos. O clima europeu da cidade favoreceu aos colonos que desenvolvessem a cultura da videira, dando orígem ao lugar conhecido como Vale dos Vinhedos. Além da produção de vinhos, Bento Gonçalves é um reduto de mulheres bonitas. Eu disse bonitas? Semi-deusas seria um adjetivo ainda pequeno pra descrever a beleza daquelas mulheres…


Paisagem típica da Serra Gaúcha – região de Pinto Bandeira

Enfim, reunimos novamente “Los 3 Amigos”. Eduardo Leonardi e eu saímos de Porto Alegre às sete da manhã e caímos na estrada, subindo a serra rumo a casa do terceiro membro do trio, Alfeo. Após cruzar canyons, paisagens floridas e estradas vazias, chegamos.

Toda vez que vamos à Bento é uma sensação indescritível. O ar puro, o silêncio, o clima (cinco graus a menos que em POA) a recepção da família Pozza… é algo fantástico. A gente se sente tão bem que nem dá vontade de voltar. Fora que, sempre que “Los 3 Amigos” se reúnem, a diversão é garantida, faça chuva ou faça sol. Que foi o caso dessa vez.


“Los 3 Amigos”: Eduardo, eu e Alfeo.

Fomos até Pinto Bandeira, distrito de Bento. Lá moram alguns parentes do Alfeo que trabalham no cultivo das uvas. Logo avistamos os parreirais descendo barranco abaixo, formando aquele tapete verde por cima dos campos. A diferença está embaixo deste tapete: uvas de todos os gêneros. Como a gente não é de ficar parado, fomos colhê-las. Nos embrenhamos no parreiral, em meio a um percuso irregular, que proporcionou alguns resbalões (Eu tô bem, eu tô legal). E lá no meio do campo, acontece o inevitável – chuva. As folhas da vindima criavam um telhado natural, nos protegendo da chuva, onde a música que se ouvia era a da água batendo na folha da parreira. Depois da chuva, o resultado: dois cestos recheados de uvas diversas – dedo-de-dama, isabel, dentre outras.

Parreiral de uva isabela.
Parreiral de uva dedo-de-dama em Pinto Bandeira.

Em seguida, nos tocamos pra Fenavinho. Infelizmente, as nossas companhias femininas nos deram o bolo nesse passeio. Pena. Nos encontraríamos com elas depois, mas mais abaixo falo nisso. Pavilhões exibiam vinhos fabricados entre os anos 20 e 70. Estandes de degustação (eba!), bolachinha caseira, e todas as outras guloseimas típicas italianas. Apesar disso, fizemos o inevitável: comemos tapioca num evento italiano! Não dava pra resistir…

Durante o passeio, lembrei-me das sábias palavras do meu amigo paulista Janga, quando estava no RJ: “Cara, o que cê quer com as mulheres daqui, se lá na tua terra tem as mulheres mais bonitas do mundo?” Ele estava certo. Era um desfile de encher os olhos! Gisele Bündchen é feia perto das “gringuinhas”. Falarei de uma em especial mais adiante.

Depois, a encenação cênica. Uma equipe do Amazonas, responsável pelas alegorias do Festival de Parintins, foi contratada para contar a história do vinho, desde a criação do mundo. Eu juro que nunca tinha visto um espetáculo de fogos e apresentação tão bonitos quanto aquele. Teve um momento que foi, na minha opinião, o ápice da coisa: ao narrar a chegada dos colonos na região de Bento, tocaram “Mérica, Mérica”. A arena inteira começou a cantar em uníssono. Apesar de não ser de descendência italiana, não tem como não se emocionar com a história daquele povo que tem orgulho das suas orígens, tem orgulho de serem gaúchos, e orgulho de serem brasileiros.

Vale ressaltar até o momento:
- Meu pé, que estava doendo, parou de me incomodar nos momentos críticos.
- Os excessivos pedidos do Alfeo para que eu me comportasse (em breve saberão o por quê)
- O salame do Du a copa que o Du comprou, e que foi obrigado a ficar segurando durante todo o espetáculo (já que ninguém queria segurar o salame dele, devido a dupla conotação). No final do dia, o salame tinha até nome, e era tratado como animal de estimação.
- A massa com molho branco da dona Olíva (mãe do Alfeo). Delícia!
- O vinho tinto, servido por uma loirinha na Fenavinho, que dispensa comentários (o vinho e a loirinha)
- A bandinha no centro da cidade, que começou a tocar assim que o Cidadão-Mor de Bento, o Alfeo, saiu do carro.

Continua no próximo capítulo, em breve!

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Férias

Depois de um ano de árduo trabalho, férias. A recompensa de todo bom cidadão por contribuir com 60% do seu salário com o Governo é um período de descanso no verão, regulamentado por lei. Como sou estagiário, e essa raça classe trabalhista está abaixo do cú de um cachorro da lei, posso me considerar um sortudo por isso.

Porém, enquanto vejo hordas de gaúchos desesperados por um recanto nas areias de uma das nossas praias maravilhosas, eu, como todo bom magrão porto-alegrense, suburbano e cidadão do mundo, aproveitarei o que a capital tem a me oferecer até o dia 21.

Estanhamente, ainda não acredito que estou de férias. Hoje, por exemplo, acordei as oito da manhã. Sim, é um sacrilégio. Enfim, sem nada para fazer, me toquei para o Centro. Sabe como é, contas para pagar, coisas para comprar, por aí. É foda entrar em fila em Porto Alegre.

Como estou de férias, sem nada pra fazer, pensei “ora bolas, por que eu não tento tirar o pó do violino?” Sim, amigos, eu tive aula de violino por seis meses. Depois parei por causa da Universidade. Acho que ainda sei tocar. Mas, para tal, preciso de algumas peças. O problema é, além das peças serem caras, são difíceis de achar. Portanto, fudeu. É foda ser músico em Porto Alegre.

Em compensação, encontrei a maldita pecinha adaptadora pros fones do meu MP4. Como não é qualquer fone que entra naquela merda, tive comprar um treco de 1cm que custa 13 pilas! Só por que a bosta não aceita qualquer fone! Tome cuidado na hora de comprar seu aparelho! É foda ouvir música em Porto Alegre.

Bom, era isso. Vou continuar com a minha vadiagem. A qualquer momento voltaremos com mais bobagens por aí.

Vai ser foda tirar férias em Porto Alegre.

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