Me lembro como se fosse hoje. Entrei na livraria Siciliano do Praia de Belas. Um gordinho veio me atender. Eu disse que estava a procura do último livro do Guia do Mochileiro das Galáxias.
- Não existe.
- Como não existe? Eu lí na internet que…
- Não existe. Isso aí é boato de fã. Douglas Adams só escreveu até o quarto livro. O quinto nunca vai ser lançado.
- Mas eu li no site da editora… estavam traduzindo o livro.
- É mentira. É mais um desses boatos da internet. Procura outro livro, que esse tu nunca vai ver.
Se eu pudesse, gostaria muito de encontrar esse gordinho e mandá-lo tomar no cú
Terminei o livro no domingo. Esse, que encerra a “trilogia de cinco livros” do Douglas Adams. Foi uma decisão difícil ler o Guia, enquanto as febres eram hobbits que usavam anel e um bruxinho com um trovão tatuado na testa. Muitos já me conderaram por isso, como se fosse uma heresia. Eu acho que heresia é não conhecer Douglas Adams, e entender como ele descreve o universo em seus textos. Quem já viu os filmes Em Busca do Cálice Sagrado, A Vida de Brian e O Sentido da Vida, pode afirmar que o Guia é um Monthy Python de capa dura.
Fato: Quando comprei o quarto livro, na Unisinos, encontrei um professor de rádio. E ele me confessou que começou a ler o primeiro livro, mas desistiu porque se perdeu no meio da trama. “É uma leitura muito difícil”, disse. Eu concordo. Pra ler, você tem que entender a complexidade do universo, e ao mesmo tempo saber que ele é tão simples, que chega a ser idiota.
Outro fato: Douglas Adams fez a adaptação do Guia pra cinema, rádio, série televisiva e livro. E em cada uma, uma versão diferente da história.
Mais um fato: inúmeras referências ao Guia podem ser encontradas na criação do Google, da Microsoft, e em inúmeros filmes. Descubra mais no site do filme.
Em todo caso: NÃO ENTRE EM PÂNICO!

