Blog do Piero

Archive for janeiro, 2007

Praticamente Inofensiva

Me lembro como se fosse hoje. Entrei na livraria Siciliano do Praia de Belas. Um gordinho veio me atender. Eu disse que estava a procura do último livro do Guia do Mochileiro das Galáxias.

- Não existe.
- Como não existe? Eu lí na internet que…
- Não existe. Isso aí é boato de fã. Douglas Adams só escreveu até o quarto livro. O quinto nunca vai ser lançado.
- Mas eu li no site da editora… estavam traduzindo o livro.
- É mentira. É mais um desses boatos da internet. Procura outro livro, que esse tu nunca vai ver.

Se eu pudesse, gostaria muito de encontrar esse gordinho e mandá-lo tomar no cú

Terminei o livro no domingo. Esse, que encerra a “trilogia de cinco livros” do Douglas Adams. Foi uma decisão difícil ler o Guia, enquanto as febres eram hobbits que usavam anel e um bruxinho com um trovão tatuado na testa. Muitos já me conderaram por isso, como se fosse uma heresia. Eu acho que heresia é não conhecer Douglas Adams, e entender como ele descreve o universo em seus textos. Quem já viu os filmes Em Busca do Cálice Sagrado, A Vida de Brian e O Sentido da Vida, pode afirmar que o Guia é um Monthy Python de capa dura.

Fato: Quando comprei o quarto livro, na Unisinos, encontrei um professor de rádio. E ele me confessou que começou a ler o primeiro livro, mas desistiu porque se perdeu no meio da trama. “É uma leitura muito difícil”, disse. Eu concordo. Pra ler, você tem que entender a complexidade do universo, e ao mesmo tempo saber que ele é tão simples, que chega a ser idiota.

Outro fato: Douglas Adams fez a adaptação do Guia pra cinema, rádio, série televisiva e livro. E em cada uma, uma versão diferente da história.

Mais um fato: inúmeras referências ao Guia podem ser encontradas na criação do Google, da Microsoft, e em inúmeros filmes. Descubra mais no site do filme.

Em todo caso: NÃO ENTRE EM PÂNICO!

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Oito de janeiro

(antes tarde do que nunca)

“Elvis não morreu. Apenas voltou para casa.”
(Agente K, no filme M.I.B. – Homens de Preto)

- Olá boy.
- Fala Mari Timm.
- Sabe que dia é hoje?
- Sim, oito de janeiro.
- Não é hoje que o Elvis faz aniversário?
- (depois de pensar um pouco) É. É sim.
- Parabéns.
- Hã… Obrigado.

A semiótica explica isso como uma representação icônica. Eu acho. Antigamente, bastava falar em videogames que alguém logo mencionava meu nome. “O Piero deve conhecer esse jogo. Pergunta pra ele como faz pra passar de fase que ele é mestre nisso”. Hoje eu recebo cumprimentos no dia do aniversário do Elvis e no Dia Mundial do Rock.

Teoricamente, eu tenho argumentos muito bons para contra-atacar aqueles que não gostam de Elvis ou de rock. Como se não bastasse a enorme transformação cultural que esse ritmo provocou (e ainda provoca) no mundo, das coisas que vêm influenciando há mais de 50 anos, das músicas que marcaram uma geração e criou ídolos imortais, ainda há um dia internacional para comemorar tudo isso!

A verdade é que só o rock salva, e é capaz de agradar a todos. É uma unanimidade inteligente, que vai de Buddy Holly a Legião Urbana, de Kiss a Queen, de Guns’n'Roses a Racounters, e por aí vai.

Longa vida ao Rock’n'Roll!!!!

Em homenagem, com vocês a banda mais perfeita do mundo. Porque sonhar não custa nada:

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TV via Internet

O povo responsável pelo Skype, um dos produtos que causaram um grande “boom” na internet há pouco tempo, lançaram o Joost – um programa que possibilita ao usuário assistir tv pela internet. É uma promessa pra desbancar o YouTube. Por enquanto, o produto beta só pode ser acessado se você receber um convite para efetuar o download do programa. Enquanto isso, você pode se inscrever no site e esperar alguma alma caridosa. Ainda não consegui, mas pretendo testar esse programinha.

Enquanto isso, os tupiniquins podem usar o BBtv, programa criado por um brasileiro, que permite acessar diversos canais que possuem transmissão via web. Há pouco pude assistir ao Big Brother dos hermanos, um capítulo da 2ª temporada de lost e o Cartoon Network (êêêê!)

Então… Clique aqui, baixe o programa e seja feliz.

P.S.: Tenho uma conexão banda larga de 200kbps, e alguns canais ficam uma bosta pra assistir. Se tu tem internet discada, vai ler um livro que tu ganha mais.

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Andar de ônibus é trilegal

Manter a sanidade dói. Só pode. Tenho averiguado isso a cada dia que passa. Você também afirmaria isso se passasse pelas coisas que eu passo todo dia. Não, não é como no Orkut, que diz “Você tem 8 mensagens não lidas”, mas na verdade não tem nada lá quando você clica. É pior.

Ônibus, por exemplo. Acontece de tudo dentro de um. Para trabalhar, eu pego um coletivo que cruza a cidade. Quando vou à labuta, o percurso é mais tranquilo, não tem tanta gente assim. Mas na volta… é uma visão do inferno.

Quando ele surge no horizonte, a impressão é que a empresa decidiu colocar insufilm nos vidros, seja lá por qual motivo. A medida que o ônibus chega mais perto, é que você percebe que não é insufilm, e sim gente grudada nos vidros pelo lado de dentro, de tanta gente que tem.

O ônibus pára, mesmo assim. Segundo uma velhinha que estava na parada (sempre elas), eles são obrigados por lei a parar, mesmo que cheios demais. É aí que eu me surpreendo. Mesmo assim, sempre cabe mais um. A porta abriu, tomei distância, dei um embalo e me atirei lá dentro. Ouvi um “uff” das pessoas que esmaguei, mas nenhuma reclamou. Faz parte do processo. E lá partiu o coletivo, com mais de 100 pessoas dentro dele coesas, unidas como se fossem um único organismo respirando e vivendo. Sinto a porta batendo na minha bunda quando se fecha. Se por um descuido ela abrir, saio rolando trânsito afora.

O cobrador dá uma olhadinha pra trás, quase imperceptível, como um tique nervoso, e diz: “Pessoal! Vamos passando mais ao fundo que tem espaço!” A “massa” localizada nessa região reclama com alguns grunidos. Alguém grita alguns palavrões. Uma senhora pede pro cobrador ir lá atrás mostrar o espaço, que ela não acha. Um “tiozinho” bate no teto do ônibus e convoca todo mundo a “quebrar essa porra”.

“Se vocês não forem lá pro fundo, o ônibus não sai”, disse o cobrador de novo. Ninguém falou nada, mas pude ouvir o pensamento de todo mundo mandando-o tomar no cu. Acho que ele também ouviu e não falou mais nada desde então.

Gostosa. Sempre tem uma num ônibus. Dizem que, se você quer saber se uma pessoa é bonita ou não, basta colocá-la dentro de um coletivo. Se chamar a atenção é bonita mesmo, e não um fruto da nossa imaginação, nem imagem criada pela Globo ou uma ilusão provocada pela riquesa ostentada. E sim, sempre procuro uma gostosa dentro do ônibus, para aliviar a tensão de estar naquele inferno. Estou apertado, com um monte de gente fedendo a suor do meu lado, a viagem é longa, mas eu tenho uma vista maravilhosa de uma morena que… bah! Geralmente as gostosas estão sentadas do lado da janela. O macharedo do ônibus, assim como eu, já a identifica e fica de pé próximo ao banco, encarando-a. Vai que aquela gorda que está sentada do lado dela desocupa o lugar? Daí os caras se sentam do lado da gostosa e… não fazem nada. Os amigos que ficam de pé olham pra ele e falam “mazáááá guri de sorte!” De que adianta? Não vai pegar mesmo (tenho um amigo que já ficou com uma guria no ônibus, mas isso é uma exceção e também uma outra história…).

Enfim, quando você consegue um lugar pra sentar, sempre vem uma velhinha, um ceguinho ou uma trupe de surdos-mudos gesticulando. Como você é a pessoa mais jovem alí presente, as pessoas em volta já te olham com aquela cara de “não vai ceder o lugar, mal-educado?” E lá vou eu ficar de pé de novo. Nem deu tempo de tirar o livro da pasta pra ler… O tio lá no fundo ainda não desisitiu de quebrar tudo.

Isso é só uma parte das coisas que eu vejo dentro de um ônibus. Faltam outras tantas… E então? Tenho ou não tenho razão em dizer que manter a sanidade dói? Se eu a perdesse dentro de um ônibus (como eu já fiz outrora), ia ser terrível…

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Êta povinho brasileiro…

Confesso que fiquei envergonhado. Nesta semana eu observei pela mídia a grande prova da idiotice, ignorância e egoísmo do brasileiro. Principalmente essa raça “classe média”, que se acha politizada e intelectualizada. E tudo por causa de uma trepada numa praia.

Desde que a ameba evoluiu e descobriu um jeito mais “divertido” de se reproduzir que não se dividindo em dois, que o sexo existe. E se não fosse o bom rala-e-rola (ô lôco meu!), nem eu estaria aqui escrevendo, nem você aí do outro lado lendo.

O problema é fazê-lo num lugar onde todo mundo possa ver. Se você está transando na rua, na praia, no elevador do prédio, etc, sabe que corre o risco de ser pego no flagra. E as possibilidades aumentam quando você é uma modelo gostosa famosa internacionalmente, apresentadora de TV e já foi casada com o maior jogador de futebol do mundo. Bingo. Era a cena que todo paparazzi queria.

Fora isso, o cara estava certo. Com uma mulher daquela eu não ia conseguir pensar em outra coisa.

O vídeo foi publicado no maior site de vídeos da internet. E meio mundo viu a moça afogando o ganso na praia (trocadilho infame). Até então aconteceu o que se esperava: o vídeo foi removido do site, e a modelo entrou com um processo conta o paparazzi. E se tivesse ficado por aí, em menos de uma semana a poeira ia baixar e ninguém mais ia se lembrar da cena.

Porém, o namorado, apelidado pela net como “Homem Beringela”, entrou com uma ação no Brasil contra o site, proibindo o vídeo de ser transmitido pelo referido site. Como no nosso país a lei é burra, proibiram o acesso ao site por todos os brasileiros. Os internautas tupiniquins ficaram por um certo tempo sem acessar vídeos publicados pelo mundo. Essa atitude repercutiu em todo mundo, comparando nosso país à China e Cuba, onde a censura impera e há restrições quanto ao acesso de conteúdo na internet. O desembargador mostrou-se tão burro, que não podia imaginar que mesmo bloqueado, o site continuaria a ser acessado através de outros métodos.

Fora que o vídeo continua circulando por aí, pra quem quiser ver.

Então, um grupo de internautas promove um boicote a modelo, que só se fodeu nessa história toda (trocadilho infame 2). Enquanto o site não estivesse liberado, os internautas iriam negar qualquer produto ou programa vinculado à imagem da modelo. E graças a este movimento todo, em prol de um site, conseguiu pressionar o desembargador e fazer com que voltasse atrás em sua decisão.

E nunca em tão pouco tempo as palavras “ditadura”, “censura” e “boicote” andaram tão juntas.

Tudo para assistir a videoclipes, pegadinhas e piadas idiotas. “Liberdade de expressão”, os internautas alegam. Mesmo tendo outras opções para tal.

Para a justiça e para os políticos, a internet no Brasil é um antro de pornografia, pedofilia, tráfico de drogas e tantos outros crimes. Representa uma ameaça ao “cidadão de bem”.

E os nossos internautas acham uma grande coisa agir para desbloquear um site. Porque não se manifestam pra ajudar pessoas que precisam, entidades carentes, etc? Ou pra pedir a saída da banda podre da política de Brasília?

E fora daqui, consideram o país na vanguarda do atraso. O que esperar de uma nação cujo governo quis processar os produtores dos Simpsons?

 

Tudo isso começou por causa de uma trepada…

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