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Um dia eu quero crescer, ser um vadio, fazer coisas idiotas pra internet e viver disso.
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Um dia eu quero crescer, ser um vadio, fazer coisas idiotas pra internet e viver disso.
Voltei para o Brasil há pouco tempo. Vivia com minha família na Inglaterra desde garoto. Estou morando no Rio de Janeiro há uns três meses e agora estou começando a me enturmar na Universidade. Não sei de muita coisa do que está rolando por aqui, então estou querendo entrar em contato com gente nova e saber o que tá acontecendo no meu país e, principalmente, entrar em contato umas garotas legais, né?
Mas foi meio por acaso que eu conheci uma menina maneiríssima chamada Tainá. Diferente esse nome, hein? Nunca tinha ouvido. Estava procurando desesperadamente um banheiro no campus quando vi uma porta que parecia ser a de um. Na verdade, era o C.A. da Antropologia. A garota já foi logo me perguntando se eu queria me registrar em algum movimento estudantil de não sei lá o que. Que bacana! Que politizada ela era! E continuou a me explicar a importância de eu me conscientizar enquanto enrolava em beque da grossura de uma garrafa térmica. Pensei em dizer que estava precisando cagar muito rápido, mas ela era tão gata que eu falei que sim. Tainá: cabelos pretos, baixinha e com uma estrutura rabial nota dez… Aí, acho que ela me deu um certo mole… Conversa vai, conversa vem, ela me chamou para um show de uma banda naquela noite que eu nunca tinha ouvido falar: Loser Manos. Nome engraçado esse! Estava fazendo uma força sobre-humana para manter a moréia dentro da caverna, mas realmente tava foda. Continuamos conversando e rindo. Ela riu até bastante, mas eu, na verdade, tava mesmo rilhando os dentes porque assim ficava mais fácil disfarçar as contrações faciais que eu estava tendo ao travar o meu cu para não cagar ali mesmo na frente dela.
Um dos textos mais engraçados que eu já li na internet. Ganha da análise de “Eduardo e Mônica” (se eu achar, publico aqui).
Eu não me considero um cinéfilo, apesar de gostar de ir ao cinema. Pra mim, cinéfilo é aquele que curte filmes mais “cult”, sabe de cor os traumas que o Almodóvar tem, consegue traçar comparações com filmes anteriores do mesmo diretor, ou até mesmo com filmes de mesma temática.
Eu já sou de filmes mais “blockbuster”. Gosto de ir no cinema pra rir, sentir medo e encher os olhos de efeitos especiais. Pra pagar vale de entendido, até faço algum comentário do tipo “bela fotografia, hein?”
Felizmente eu tenho alguns amigos entendidos em cinema, como a Mari. Ela tem todas as características que descrevi no primeiro parágrafo, sem ser chata e sem encarar as pessoas com aquele olhar blassé atrás de um óculos quadrado de hastes grossas e pretas. Ela sim é uma ótima companhia para ver um filme. Devia substituir o Rubens Ewald Filho nos comentários do Oscar.
Se não fosse por ela, jamais teria assistido ao Babel. Sim, mulher-visitante deste blog, o filme é com o Brad Pitt (poupem-me dos gritinhos de histeria), por mais que eu ache que colocaram o Benicio Del Toro no lugar dele. Tem a Cate Blanchett fazendo par com ele. Acho que os diretores já sabem:
- Precisamos de uma loira de aspecto frágil e com cara de chorona para o papel.
- Bom, vamos chamar a Cate Blanchett.
- De novo?
- Ela nem precisa de maquiagem. Diminuimos os custos de produção.
Isso sem falar nos outros atores, como o Chê Guevara Gael Garcia Bernal, e uma japonesinha que eu não sei o nome. Aliás a japonesinha fica pelada no filme. Não é lá essas coisas, mas já serve como desculpa para “ver um filme do Brad Pitt”.
O filme faz uma coisa que eu acho fantástica, que é contar muitas histórias ao mesmo tempo, dexando-as interligadas. A Mari disse que este diretor fez isso em outro filme, o 21 Gramas. Eu vi a mesma coisa em O Grito 2 (percebeu o abismo cultural entre eu e minha amiga? Pois é…).
Enfim, vale muito a pena ver. E pra quem é cheio de neura como eu, desencana. Esquece que é um filme com o marido da Angelina Jolie (ele até aparece pouco), que não tem um herói numa roupa colorida batendo em supervilões, nem almas de outro mundo que saem pela TV. Abra seus olhos e amplie seu horizonte. E perceba como uma ação, realizada sem querer, pode provocar uma reação de enormes proporções.
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P.S.: Se forem assistir, prestem atenção no casamento que acontece no México. Pra mim foi o ápice!
Era agosto de 1980. Ia ao ar o primeiro capítulo da novela Coração Alado, no horário das 20h, na TV Globo. A novela tinha esse nome por causa da música de abertura, “Noturno” do Fagner:
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“Inconformado com os limites que lhe colocava a vida no interior de Pernambuco, certo de seu talento e cheio de vontade de vencer, o escultor Juca Pitanga enviava suas obras para serem vendidas no Rio de Janeiro. Ao tomar conhecimento, porém, de que suas peças estavam sendo negociadas pelo dobro do preço do atravessador, Leandro, não teve mais dúvidas: juntou a família, a mãe Dalva e os irmãos Anselmo e Aldeneide, e veio para o Rio, onde já se encontrava um outro irmão, desapareceido, Gabriel, e um tio, Rômulo Pitanga.”
A novela também trouxe polêmicas para a televisão. Foi em “Coração Alado” que aconteceu a primeira cena de masturbação, feita pela personagem Catucha (interpretada pela atriz Débora Duarte), afrontando totalmente a censura da época. As fitas deste capítulo misteriosamente sumiram, nem há cópia conhecida do script do capítulo. Também houve muita discussão em torno de uma cena de estupro e de um personagem diabético (as pessoas ficavam ofendidas em ver um cara aplicando insulina no horário das oito).
No entanto, ressalto um parágrafo da sinopse da produção:
“Com o desaparecimento de Silvana, sua irmã, Crystal, volta ao Brasil depois de trinta anos de afastamento. Veio investigar o sumiço da irmã e encontrar Karany, o cunhado e antigo amor. Com ela vem o filho, Piero, que tão logo chega, se apaixona pela caçula dos Karany, Alexandra. Mas esse é um envolvimento proibido: Piero é filho de Karany, portanto, ele e Alexandra são irmãos. Mas Crystal é a única pessoa que pode viabilizar esse romance, pois só ela sabe que Alexandra não é filha legítima de Alberto Karany.”
Piero foi o primeiro papel do ator Carlos Augusto Strazzer na novela global. E a Alexandra era interpretada pela atriz Miriam Rios (sim, a ex-mulher do Roberto Carlos).
E quase três anos depois, um gurí nasceu em Porto Alegre e ganhou o nome de Piero, graças à novela Coração Alado. Preciso dizer quem é?
Agora eu já posso justificar o porquê do meu nome.
E não sendo o suficiente, o romance quase incestuoso de Piero e Alexandra era embalado pela trilha internacional da novela. Com vocês, L.T.D, Shine On:
[odeo=http://odeo.com/audio/7201263/view]
Letra da música aqui
Ha pouco escrevi sobre os ônibus de uma maneira bem humorada, relatando as situações que podem acontecer dentro de um. Mas há o que acontece fora. Uma fração de segundo é o suficiente para congelar uma cena que olhamos como meros espectadores enquanto o ônibus está na sinaleira ou parado esperando que o último passageiro embarque. A vida segue seu curso, e nos chama a atenção para o comportamento humano.
Segunda-feira, 8h30. O ônibus da linha T3 passava pela vila Cruzeiro, uma das mais perigosas de Porto Alegre. As ruas são pequenas e sinuosas. O trecho mais perigoso é chamado de “Curva da Morte”, pelos moradores. É uma elevada em formato de “s”. Quem sobe não vê quem está descendo e vice-versa. A calçada também é pequena, obrigando os moradores a caminharem ao meio-fio. É frequente o relato de acidentes de carro e mortes de pedestres alí.
Dessa vez, o acidente aconteceu duas quadras depois. Num cruzamento, em frente à parada. Não consegui ver algum carro ou moto avariado, o que leva a crer que o motorista fugira depois do acidente. A ambulância já estava lá, e os paramédicos prestavam os socorros, já com a maca pronta para a remoção do corpo. Em volta, muitos curiosos. Alguns colocavam a mão no queixo e sacudiam a cabeça negativamente. Um rapaz de bicicleta que passou não pôde evitar um olhar curioso. Um senhor, que provavelmente estava tomando chimarrão na porta de casa, foi ver o que se sucedera. De cuia e térmica na mão, alternando comentários enquanto sorve o mate. O acidente tomou ares de espetáculo. O público aguarda o desfecho da história. E os espectadores do ônibus perdem o desenrolar da história quando a porta fechou e o motorista partiu.
Terça-feira, 8h55. O ônibus pára na sinaleira. Do lado de fora, uma senhora que devia ter cerca de 70 anos estava deitada no chão, como se tivesse levado um tombo. Agachado ao seu lado, um rapaz na faixa dos 20 anos conversava com a senhora. Fora o rapaz, as pessoas em volta nem davam bola para a velhinha. Se ela estivesse maltrapilha, a falta de ateñção seria justificada. Pelas roupas, era uma senhora, podemos dizer, distinta. Mas a agonia é saber por que raios ela estava no chão! E por que só aquele cara estava tentando ajudá-la? Seria um neto, um desconhecido? A velhinha foi derrubada por um pivete que tentou roubar-lhe a bolsa? Antes que eu fizesse qualquer conclusão, o sinal ficou verde, deixando para trás mais aquela história.
Hoje é quarta. Que outras cenas ainda estão por vir?