Blog do Piero

Archive for dezembro, 2006

Retrospectiva

Pois então… só me dei conta que o ano acabou quando liguei a TV e vi o Roberto Carlos cantando. Ainda por cima, cantando funk! Mas isso não vem ao caso. 2006 teve o mesmo número de dias que 2005, mas passou muito rápido.

Ao mesmo tempo, tantas coisas aconteceram. Coisas boas e ruins. Posso dizer que foi um período onde eu tive que optar pelo oito ou oitenta. Tomar decisões bruscas, porem sensatas, tornou-se o meu forte. Não me arrependo de forma alguma das coisas que fiz. Se pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo. Porque tudo o que fiz foi com sinceridade, com sentimento.

Viajei, e conheci um grupo de pessoas excepcionais, sem palavras para descrever. O Geração Futura Afiliadas, no Rio de Janeiro, foi mais do que um curso. Foi uma experiência de vida e de amizade.

Trabalhei, e trabalhei muito. E creio que tenha crescido como profissional. Até palestrei em um evento na Unisinos! Duas vezes. E o reforno foi ótimo! Também pude fugir um pouco do foco na assessoria de imprensa para desenvolver meu lado “jornalismo literário”. E valeu a pena.

Foi o ano da saudade. Saudade dos amigos que fiz nas viagens, saudades das pessoas que estavam do meu lado quase todo dia, dos amigos, dos parentes, dos amores (dos reais e inatingíveis). E de mim mesmo, que diante de tantas adversidades mudei, e não sou mais o mesmo.

Espero que em 2007 eu possa novamente encontrar com todas as pessoas que conheci neste ano. Que a famila e os meus amigos continuem a crescer cada vez mais em todos os sentidos.

E que, jornalisticamente falando, seja um ano de boas notícias, tanto para mim, quanto para vocês. Basta querer.

Como diria Elvis: um pouco menos de conversa, um pouco mais de AÇÂO!!!

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Em breve…

Aguardem!!!

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Eu tenho uma teoria… Parte 1 – Pombos

Ao
Prefeito de Porto Alegre
Leonel Brizola José Fogaça

Prezado prefeito;

Acredito que a cidade onde vivemos é uma extensão dos habitantes que moram nela, como um reflexo da administração pública que nós escolhemos através do voto democrático. Constatei, então, que Porto Alegre está uma merda. Talvez o senhor desconheça a real situação do que acontece por aqui, o que é totalmente compreensível, já que vossa malemolência deve estar extremamente ocupada, compondo musicas para a sua senhora cantarolar em alguma apresentação natalina por aí. Como cidadão de bem, vivendo em um Estado democrático, decidi colaborar com a cidade onde eu nasci, já que não tive como optar onde ser parido por ser menor de idade na época.

A minha primeira colaboração com a prefeitura refere-se a uma praga que, aparentemente não há solução: os pombos. Considerados os “ratos alados”, essas aves sobrevoam os céus do Centro de Porto Alegre, onde em alguns momentos realizam ataques quase suicidas na direção dos pedestres. Em certos casos, estes meticulosos animais lançam suas fezes tal qual morteiros, sendo mais precisos que um soldado americano ao atingir seu alvo. Os bons e maus cidadãos de bem de Porto Alegre são privados por estas aves de saborear quaisquer das iguarias vendidas pelas ruas da capital, como os cachorros-quentes ao custo de R$1,00, sem estarem à mercê de um ataque maciço de pombos. Fora isso, estas aves são responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças, dentre elas a toxoplasmose, podendo levar o indivíduo à morte.

A solução à longo prazo para acabar com estes problemas estaria na educação dos cidadãos em manter a cidade limpa, evitando deixar quaisquer dejetos nas ruas, e o principal, não alimentar os pombos. Como ensinar algo que preste ao povo é mais difícil que nadar de  poncho, eu tenho uma teoria que pode resolver este problema para sempre.

Primeiramente, os órgãos competentes devem realizar um censo para saber qual a quantidade real de pombos existentes no centro de Porto Alegre. O Correio do Povo pode ajudar o IBAMA neste levantamento, já que suas pesquisas mostraram-se eficazes nos últimos acontecimentos.

O segundo passo é transformar o centro da cidade em um ecossistema renovável. Nos Estados Unidos, o problema dos pombos foi controlado soltando falcões nos centros urbanos, para que caçassem os ratos voadores. Como não dispomos de tais aves nobres, usaremos corujas nestes casos. As corujas irão caçar os pombos durante a noite, e quando estes estiverem voando. Comerão os filhotes também, impedindo o crescimento da natalidade pombiana. Mas como todos nós sabemos, a grande maioria dos pombos de Porto Alegre caminha pelo chão, e de dia. Para estes espertinhos, as jaguatiricas que serão soltas pelas ruas darão conta do recado. Fazendo um cálculo rápido, acredito que seram necessários 30 casais de corujas e 10 casais de jaguatiricas, espalhados em lugares estratégicos da cidade.

Dessa maneira, os pombos serão dizimados pelas corujas e jaguatiricas. Quando eles forem totalmente exterminados, as jaguatiricas passarão a comer as corujas, eliminando-as também. Como os felinos estarão gordos demais para correr, de tantas aves que comeram, serão um alvo fácil para os ambulantes de plantão do Mercado Público, que vendem espetinhos nas ruas cuja carne é de procedência desconhecida, fornecendo ingredientes para a sua sobrevivência e mantendo o comércio formal e a circulação de renda pela cidade.

Aguardo uma posição dos órgãos competentes perante a minha sugestão para a solução deste terrível problema. Até porque duvido que conseguirão pensar em algo melhor.

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posted by Piero Barcellos in Cotidiano,Ficção and have Comments (5)

Odair José e os Beatles

Não, você não está bêbado(a), nem leu errado. O quarteto de Liverpool e um dos ícones bregas brasileiros têm muita coisa em comum. Duvida? Então dá uma lidinha neste trecho da entrevista dada por ele para a revista Bizz:

Qual sua primeira memória musical?
Meu pai mexia com terra, na região de Morrinhos (interior de Goiás), perto de Caldas Novas. Chegava a época da colheita, ele fazia uma confraternização. Foi quando vi um trio com dois violeiros e um sanfoneiro. Achei legal e pedi um violão a minha mãe, de Natal. Mas meu pai me deu um cavaquinho, porque, pelo meu tamanho, era mais adequado (ri). Tinha um cidadão que tocava violão de sete cordas na banda da cidade e me ensinava todo dia um acorde. Naquela época, eu tocava boleros, modas de viola, música italiana, americana. Aos 12 anos, quando me mudei para a capital, Goiânia, apareceram os Beatles. Eu cantava todas as músicas dos Beatles, em serenatas, numa bandinha chamada Monft.
Como é que é?
Monft – eram as iniciais da gente: Marcelo, Odair, Nadir, Fayed e Tuca… Depois fui convidado para ser crooner de banda de baile, os Apaches, que era famosa em Goiânia. Cantava Beatles, Animals… Mandava qualquer inglês, mas cantava (ri).

Agora falando um pouco dos Beatles: caiu na net aquele que eu acredito ser o melhor álbum de rock lançado nos últimos tempos. O Cirque de Solei criou um espetáculo cuja base seriam as músicas do FabFour. Para tal feito, chamaram nada mais, nada menos do que George Martin, o cara fodão responsável pela produção e pelos arranjos de quase todos os álbuns dos Beatles. Ele se puxou neste e conseguiu o impossível, que é melhorar o que já estava perfeito. As músicas têm uma ligação entre si, que só um leigo não conseguiria perceber onde acaba e onde começa cada faixa. Já ouvi trocentas vezes e não consegui enjoar. Eu recomendo.

Em homenagem aos dois extremos, coloco aqui uma música do Tributo a Odair José – Vou Tirar Você Deste Lugar, gravado por diversas bandas em homenagem ao “cantor das empregadas”. Porque ele, assim como todo beatlemaníaco, já quis ser um deles…

[odeo=http://odeo.com/audio/3670503/view]

Eu queria ser John Lennon um minuto só
Pra ficar no toca-discos e você me ouvir
Eu queria ser aquele espelho do seu quarto
Nele você sempre olha antes de dormir
Eu queria ser a chuva que molhou seu rosto
Pra saber o gosto que você sentiu
Quando o pingo frio no seu corpo caiu
Eu queria ser a razão dessa sua alegria
Pois até mesmo dormindo o seu nome eu chamo
Eu queria ser a verdade dos seu sonhos perdidos
Assim eu teria coragem pra dizer que te amo
Eu queria ter você sempre no meu caminho
Pra não ser mais triste, nem andar sozinho
Ou ficar jogado por ai
Eu queria ser o dono do seu pensamento
Pra acabar com todo esse sofrimento
Que nunca me deixou ser feliz
Eu queria ser John Lennon um minuto só
Pra ficar no toca discos e vc me ouvir
Eu queria ser aquele espelho do seu quarto
Nele você sempre olha antes de dormir
Eu queria ser a chuva que molhou seu rosto
Pra saber o gosto q você sentiu
Quando o pingo frio no seu corpo caiu
Linda Mc Cartney quero seu amor (7x)

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Por que não gosto de baladas

Atenção: Este post é um desabafo e contém conteúdo que poderá ofender algumas pessoas próximas a mim. Infelizmente, quando escrevo não uso as mãos, e sim o coração.

Fui convidado para uma festa. Não era qualquer festa. Era aniversário de duas amigas. E por um amigo a gente faz qualquer sacrifício, não? Até mesmo fazer coisas que a gente não gosta.

Confesso que eu não sou do tipo que tem hábitos e gostos dos mais comuns. Quando falo que não gosto de Chico Buarque, tem gente que torce o nariz. Alguns ameaçam até uma escarrada na minha cara, tamanho desprezo. Ora, gostar ou não de um estilo musical faz parte da individualidade de cada um. Se você não gosta de Elvis e Beatles, lamento. Mas nem por isso vou tentar te convencer do contrário.

Seguindo a narrativa, lá fui eu pra “balada”. Todo mundo vai pra balada, por que eu não iria? Afinal, como muitas pessoas me disseram, e me jogam na cara como se fosse uma verdade da qual deveria me envergonhar, eu tenho que aproveitar a vida. E a melhor maneira de fazer isso é indo para uma festa. Uma não, várias. Então fui aproveitar a vida da forma que me disseram que tem que ser.

Cheguei no lugar lá pelas onze da noite. Apesar da fila estar bem pequena, só consegui chegar na porta principal vinte minutos depois. Ainda tive que provar para o segurança que eu não era um criminoso, passando por uma revista. Não contente, tive que abrir minha pasta de aula para mostrar que não havia nenhum perigo em me deixar entrar.

À primeira vista, parece que tudo vai ficar bem no fim das contas. A pista não está cheia, a música está num volume bom, e eu consigo visualizar meus conhecidos. Um abraço aqui, um cumprimeto alí, e tudo transcorre bem. Alguém me oferece uma cerveja. Como não bebo, recusei e fui buscar uma água pra mim. Três reais uma garrafinha de água sem gás. É, eu também acho um absurdo. Mas sabe como é, “aproveitar a vida”…

É então que, do nada, acontece. A luz diminui, o lugar, que já é pequeno fica lotado, a música aumenta, e aquilo se torna um inferno. Uma caixa preta dos horrores. Já não ouço mais ninguém direito. O pouco que consigo ver é prejudicado por uma fumaça que sai não-sei-de-onde. Alguém me oferece uma cerveja. Eu recuso. Começa a sessão musical: dance, hip-hop e “nova MPB cult”, que é como eu classifico Vanessa da Mata e afins. As pessoas passam a se movimentar de uma maneira estranha na minha frente – efeito de uma luz que pisca sem parar e me deixa irritado. Alguém me oferece pela enésima vez uma cerveja. E eu recuso pela enésima vez.

De repente estou em um lugar muito bonito. Lembra muito aquele desenho dos Beatles, Yellow Submarine. Só que nele eles cantavam Eleanor Rigby. “Ahhhh, look all the lonely people…” Alguém me acordou. “Piero, volta. Você está em alfa!”. É, lá estava melhor. Alguém me oferece uma cerveja. Eu, pacientemente recuso.

Então é isso: aproveitar a vida é ficar num lugar pequeno, fechado e escuro, ouvindo uma música idiota a todo volume, onde as pessoas não conseguem conversar umas com as outras, e talvez por causa disso elas se entupam de álcool, e não se contentam se você não faz o mesmo, independente de você beber ou não. As pessoas tristes de Eleanor Rigby estavam na minha frente, dançando, bebendo, e achando aquilo o máximo.

Queria sair de lá o mais rápido possível. Me despedi das aniversariantes, que receberam o meu adeus de forma negativa. Ouví uma delas dizer que teriam que me mudar, me transformar. Foi então que saí de lá mais puto ainda. Então o meu jeito de ser é o problema? Eu sou o esquisito? Eu não sei aproveitar a minha vida? Será então que eu devo, sei lá, me matar?

Não.

Eu aprendi que o bem mais precioso que alguém pode ter é a sua essência. Tirem o dinheiro, as roupas, a matéria de alguém, o que sobra é o que ela é de verdade, do fundo da alma. E querem que eu mude. Que eu deixe de ser quem eu sou.

Cada um tem a sua maneira de aproveitar a vida. Conheço gente que prefere ir à Igreja e ficar rezando lá o fim-de-semana inteiro. Tem gente que curte ficar em casa com a família. Tem gente que gosta de ajudar os necessitados… e eles não aproveitam a vida mais ou menos do que qualquer um. A diferença é que eles são respeitados. Eu não.

Acabei de voltar de um ótimo passeio que fiz. Fui com minha família e com alguns amigos para um sítio em uma cidade próxima daqui. Ficamos o dia inteiro lá. Conversamos, contamos piadas, comemos um ótimo churrasco, andamos à cavalo, tomamos banho de piscina, de açude, pescamos, fizemos trilha… e eu me diverti como nunca. Aliás, ninguém me ofereceu cerveja, nem me incitou a fazer algo que não queria.

Então, para todos aqueles que acham que eu não aproveito a vida, que eu não sei me divertir, que eu devo tomar um porre pra ser considerado gente, que querem que eu mude o meu jeito de pensar e de agir, que se incomodam por eu ser assim e ser muito feliz desta forma… um grande e enorme FODA-SE. Com força e com eco.

E tenho dito.
Em breve voltaremos com nossa programação normal.

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posted by Piero Barcellos in Cotidiano and have Comments (15)