Tenho uma colega, a Josi, que odeia pombos. E ela fala bem assim, no plural, com todos os “esses” que a palavra possui. “Odeio pombos! Que bichos nojentos”, ela diz. Eu defendo que o pombo é um bicho semiótico, porque ele pode produzir diversos significados: para uns, ele representa o rato com asas, devido ao número de doenças que pode transmitir. Mas há também o sentido pacífico e o religioso.
Mas nenhum deles seria o suficiente para explicar o que aconteceu neste sábado. Uma pomba branca parou no parapeito da janela da cozinha aqui em casa. Bom, foi a atração do dia. Rendeu até foto.
E o bicho alí ficou um bom tempo. Deixamos ele de lado e fomos tocar nossas vidinhas. E não é que quando estavamos todos na sala, eis que o pombo adentra o recinto pela janela da sala (de onde bati a foto) e dá um rasante sobre nossas cabeças? Algumas coisas da minha estante foram derrubadas por ele ainda por cima. Depois do desespero, ele foi pra cima do armário e alí ficou, observando este povo estranho que habita um lugar quentinho enquanto lá fora, onde ele estava, chovia e fazia frio.
Apesar da pena do pobre bicho, que mesmo sendo pombo era simpático, ele não podia ficar em casa. E era tão mansinho que nem se debateu quando meu pai pegou ele. Colocamos a ave no mesmo parapeito da foto, e fechamos a janela. Ela ficou alí, e nem quis saber de voar. Pelo contrário, se a janela tivesse aberta, ela entrava de novo. Batemos no vidro pra ela voar, e ela voou… pra janela de um dos quartos. Mas a janela fechada impediu a invasão planejada deste animal meticuloso.
O fato é que ela ficou do outro lado do apartamento, e parecia nos cuidar, esperando uma brecha para voltar. Anoiteceu. Era duas da madrugada quando olhei pela janela, e lá estava ela, encolhida no meio do sereno, do frio, sem se mexer. Acrdito até que minha colega que não é chegada nos pombos, ia se compadecer deste.
Dia novo lá fora, e ela permanece lá, na mesma posição, cuidando o apartamento. Aquilo já tinha virado uma obcessão! Ela foi desistir lá pelo meio da tarde, quando voou, e nunca mais foi vista.
Triste isso, não? Agora falta colocar uma moral no final da história e vender os direitos para a indústria hollywoodiana fazer um blockbuster.

A música de hoje foi escolhida por motivos óbvios. No escritório onde trabalho o assunto predominante foi o show da Ivete Sangalo no meio da semana. Fizeram um trio-elétrico circular no estacionamento de uma universidade aqui do sul. Tinha gente se achando no carnaval de Salvador, vê se pode? Então, quando o assunto se remetia ao axé de Ivete, eu colocava os fones a todo volume para ouvir AC/DC.